quinta-feira, 24 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
Só o Senhor Jesus Cristo, salva - At 2.36
“Esteja
absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós
crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. At 2.36
Quando Pedro afirma, diante dos
judeus presentes à festa do Pentecostes, que Jesus fora feito, por Deus, Senhor e
Cristo, estes sentem-se compungidos em seus corações. Um sentimento de temor se
apodera daqueles que ali estavam e, tal sentimento é tão forte que eles se
voltam para os apóstolos perguntando: Que faremos irmãos? (v.37) É interessante
notar que estes que fazem esta pergunta são os mesmos que, alguns poucos minutos antes mostravam apenas curiosidade, e no
caso de alguns, até escárnios, por causa do fenômeno da descida do Espírito
Santo e das manifestações de línguas através dos apóstolos. Porque tal mudança
de atitude? O que os levou a sentir tanto temor diante da pregação de Pedro?
Para responder a estas perguntas
de modo satisfatório precisamos entender o que os homens daquela época
entendiam por Senhor? Hoje em dia, a palavra senhor é usada ordinariamente como uma forma
respeitosa de tratamento. Uma palavra que nos permite dirigir-nos a uma pessoa
do sexo masculino, adulta ou mais velha do que nós, de forma a demonstrar
respeito ou consideração. Não era este o uso da palavra senhor no tempo dos
apóstolos. Quando os judeus que, com sinceridade ou não, se aproximavam de
Jesus desejando mostrar-lhe respeito ou consideração, chamavam-no de Rabi, ou
de Mestre, não de Senhor. Era assim com todos os demais líderes da nação. Isso,
porque, a palavra Senhor designava apenas uma única pessoa em todo o império.
Senhor era o imperador. Aquele que tinha poder de vida ou morte sobre todos os
súditos. No caso daqueles que habitavam o império romano, este era um título
que se aplicava unicamente a César, único senhor reconhecido no império, do
qual aquela região era apenas uma das províncias. O discurso de Pedro que
culmina com esta espantosa revelação traz aos ouvidos daqueles religiosos
judeus uma certeza assustadora: Aquele Jesus, que apenas poucas semanas antes,
havia sido brutalmente assassinado pelos romanos, a pedido dos judeus, Deus o
fizera, Senhor e Cristo. Ele agora tinha, da parte de Deus, poder de vida e morte sobre todos, judeus e
gentios. Ele agora era aquele que, no futuro, iria julgar vivos e mortos e lhes
anunciar a sentença eterna (Dn 12.2).
Nossa situação hoje é bastante
diferente. Vivemos numa época em que muito se fala de Jesus. A palavra senhor é usada indiscriminadamente, inclusive para referir-se a Jesus Cristo. Dificilmente,
porém, poderíamos dizer que, em meio às multidões que lotam os templos, há
entendimento e submissão real ao senhorio de Cristo. Todos parecem estar
dispostos a receber alegremente um salvador, porém, poucos parecem dispostos a
permitir que alguém se torne de fato Senhor em relação às suas vidas, mesmo que
este Senhor seja o próprio Jesus Cristo de Nazaré. Quero ilustrar este fato com uma lembrança de alguns anos atrás. Ainda tenho bem vivas em minha memória as imagens de uma cerimônia fúnebre, em que os familiares de vários jovens, vítimas de uma acidente automobilístico lotavam o templo de uma igreja evangélica. O pastor da igreja, que presidia a cerimônia, ao iniciar sua prédica fez três perguntas àquelas pessoas. Ele perguntou: quantos aqui acreditam que Deus existe? Todos levantaram suas mãos. Em seguida, ele perguntou: Quantos acreditam que Jesus Cristo é o salvador? E, novamente, todos levantaram suas mãos. Finalmente, ele perguntou: E, quantos aqui, já reconheceram que Jesus é o Senhor de suas vidas? Desta vez, apenas seis pessoas levantaram suas mãos. É disto que trataremos hoje nesta reflexão. Jesus Cristo é o Salvador, mas não salva quem não o reconhece como o Senhor!
É por essa razão que precisamos
examinar os motivos pelos quais devemos reconhecer que Jesus é o Senhor de nossas vidas. E também devemos viver vidas que demonstrem o reconhecimento deste senhorio. Quero
listar apenas três razões: Em primeiro lugar, Jesus Cristo de Nazaré é o Senhor por direito
de Criação. Aquele que cria é senhor da obra criada. As Escrituras Sagradas nos
informam solenemente que “todas as coisas foram feitas por intermédio dele,
e sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Bem, todas as coisas
incluem a mim e a vocês. Foi Jesus que, de um modo extraordinário nos gerou no
ventre de nossas mães. Foi ele que, antes mesmo de nascermos, escreveu e
determinou cada um dos nossos dias (Sl 139.16). Ele, sendo o criador, é também
o sustentador de todas as coisas. O escritor aos hebreus refere-se a Jesus como
aquele que sustenta “... todas as coisas pela palavra do seu poder..."
(Hb 1.3). Ele é o criador e o
sustentador de todas as coisas e, portanto, ele é que irá determinar o fim de
cada uma delas. O mundo e o destino do mundo está em suas mãos e ele apenas
espera o momento certo para julgá-lo (At 17.30-31).
Em segundo lugar, Jesus Cristo de Nazaré é O Senhor por designação
do Pai. Os judeus que ouviram a pregação de Pedro sentiram-se profundamente tocados quando
este lhes declarou: “Deus o fez Senhor e Cristo”. Aquele a quem eles
adoravam honrara Àquele a quem eles mataram, designando-o como O Senhor e O
Cristo. Para os apóstolos este conhecimento viera antes da morte de Jesus. No
monte da transfiguração Pedro havia ouvido a voz de Deus de modo claro quando
Este lhes falou: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi”
(Mt 17.1-5). Nesta frase, dirigida aos apóstolos Pedro, Tiago e João, no alto
do monte onde Jesus havia se transfigurado diante deles, Deus afirma duas
verdades que não podiam ser contestadas: a primeira é que Jesus era seu filho
amado. Filho em um sentido que nenhum outro ser humano poderia ser. Nós nos
tornamos filhos de Deus por adoção, por um ato da graça de Deus (Rm 8.23, Gl
4.5 e Ef 1.5), ao recebermos Jesus Cristo como Senhor de nossas vidas (Jo 1.12).
Jesus, porém, era filho de Deus em um sentido único. Ele é o unigênito do Pai.
A segunda pessoa da trindade santa, unido à natureza humana, para resgatar a
humanidade do seu destino de perdição. A segunda revelação feita aos discípulos
no alto do monte se resume nas palavras: “a ele ouvi”. Pedro já havia
confessado em uma outra ocasião “Senhor, para quem iremos? Tu tens as
palavras da vida eterna” (Jo 6.68). A ordem de Deus agora deixa isto mais
claro ainda. Jesus Cristo, o carpinteiro de Nazaré, é aquele que deve ser
ouvido acima de qualquer outro. Suas palavras tem a autoridade do próprio Deus
Pai.
Em terceiro lugar, Jesus Cristo de Nazaré é Senhor por direito de
remissão. Um dos direitos que o povo de Israel havia recebido na aliança feita
por Deus com a nação, no monte Sinai, era o de remissão. Qualquer israelita
que, empobrecido, fosse reduzido a condição de escravo, poderia ser remido, ou
seja, comprado de volta por um parente que tivesse condições para isso, de
forma a recuperar a liberdade e a dignidade de homem livre. O apóstolo Paulo
escrevendo aos coríntios exorta-os a não se fazerem de novo escravos de
homens porque eles haviam sido comprados por um elevado preço, e, por causa
disso eles deveriam glorificar a Deus nos seus próprios corpos (1 Co 6.20;
7.23). E o apóstolo João, em sua visão das coisas que haveriam de acontecer,
teve o privilégio de ouvir o cântico dos remidos que haviam sido comprados
da terra (Ap 14.3). Ora, podemos perguntar: Como Jesus Cristo de Nazaré nos comprou? Ele nos comprou na cruz,
ao saldar a nossa dívida de valor eterno com sua vida de valor infinito.
Juridicamente falando, nenhum ser humano poderia, pode ou poderá salvar-se a si
mesmo. Existem religiões que ensinam que o ser humano pode alcançar a salvação
através da prática das boas obras, esta, porém, é uma doutrina enganosa, porque
desconsidera os fatos como eles de fato são. Bem. vamos aos fatos. Quando nossos
primeiros pais pecaram eles cometeram um crime, cuja sentença anunciada era a
morte. Seu pecado foi o de querer ser igual a Deus, conhecedores do bem e do
mal. Quiseram decidir por si mesmos o que era o bem e o mal e por isso
desobedeceram a Deus. Em outras palavras, não ouviram a Deus. Preferiram
ouvir a serpente, encarnação do diabo conforme nos informa o livro do
apocalipse (Ap 12.9; 20.2). O pecado
cometido era uma ofensa de valor infinito, porque cometido contra o Deus
eterno, infinito em todas a suas perfeições, e em todos os seus atributos de poder e bondade. Assim sendo, a
penalidade, necessariamente, também é de valor infinito. Isto, posto, podemos
entender porque o ser humano jamais poderá salvar-se a si mesmo. Como criatura
de Deus, o ser humano é finito. Suas obras, por melhor que sejam, são de valor
finito, sua própria vida é de valor finito. Assim, sendo, o único meio do ser
humano pagar por sua culpa de valor infinito com sua vida finita é sofrendo a
penalidade infinitamente, ou seja, sofrendo a condenação eterna. Não era este o
caso de Jesus Cristo de Nazaré. Ele é o Deus homem. Nascido sem pecado. Viveu
uma vida perfeita, sem pecado. E, sendo o próprio Deus encarnado, sua vida tem
valor infinito. Ele, sim, poderia pagar nossa dívida de valor infinito com sua
vida de valor igualmente infinito, e uma vez que a dívida estivesse paga, poderia
retornar a vida, pois como sua vida possui valor infinito ele não precisa
sofrer a penalidade infinitamente como nós teríamos que sofrer. É por este
motivo que o Senhor Jesus nos diz: “... eu dou a minha vida para a
reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou.
Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi do
meu Pai” (Jo 10.17-18). Quando, Jesus, em sua agonia na cruz, disse: “Está
consumado”. Ele estava dizendo: A dívida foi totalmente paga. É por isso
que após dizer isto ele “inclinando a cabeça rendeu o espírito” (Jo
19.30). Já não havia mais o que sofrer, nem porque sofrer. O valor infinito da
ofensa feita à honra da trindade santa havia sido integralmente pago pelo valor
infinito de sua vida. Ele é o Senhor porque nos comprou, resgatando-nos de nossa escravidão ao
pecado, com o preço de sua vida de valor infinito.
Diante destes fatos, resta-nos perguntar: O que Jesus é para nós?
Para milhões de seres humanos ele é apenas um salvador desejado. Um cara legal, que gosta
demais dos seres humanos, e que de maneira nenhuma vai deixá-los perecer no inferno.
Este, porém, não é o retrato que a Bíblia pinta de Jesus de Nazaré. É verdade
que o próprio Jesus disse que “veio buscar e salvar o que se havia perdido”
(Lc 19.10). Mas é igualmente verdadeiro que esta salvação não é oferecida de
modo indiscriminado e muito menos de modo banal. O anuncio da salvação, feito
pelo próprio Jesus de Nazaré era feito nestes termos: “arrependei-vos e
crede no evangelho” (Mc 1.15). Duas exigências encontramos aqui. Arrependimento e confiança no que ele dizia,
ou seja, arrependimento e fé. O povo judeu muitas vezes pegou em pedras para
tentar matar Jesus, pelo fato de muitas vezes ele ter afirmado que era igual a
Deus, ou seja, que ele era O Senhor.
O povo queria um Messias, queria um salvador, mas não queria de modo algum um
Senhor. Nenhuma outra cena nos evangelhos ilustra este fato tão bem como a cena
da crucificação. Os quatro evangelistas registraram a cena. O relato de Lucas,
porém, traz detalhes que merecem uma atenção especial para a nossa
argumentação. Enquanto Mateus e Marcos parecem descrever a atitude dos dois
ladrões que foram crucificados junto com Jesus, no período inicial da
crucificação, informando-nos que eles o insultavam da mesma forma que as
autoridades presentes, Lucas parece descrever a atitude destes outros
condenados num momento mais próximo da hora da morte de Jesus. Os dois
primeiros evangelistas narram que até os ladrões insultavam a Jesus. ali na
cruz. Lucas, o terceiro dos evangelistas, nos informa que: “Um dos
malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo?
Salva-te a ti mesmo e a nós também” (Lc 23.39). Podemos inferir com
razoável grau de certeza, a partir dos relatos de Mateus e Marcos, que estas
palavras foram pronunciadas pelos dois ladrões durante as primeiras horas do
sofrimento de Jesus. E, sabemos, pelo relato de Lucas que Jesus, até aquele
momento não lhes dera resposta. E, porque ele não lhes dera qualquer resposta
até então? Jesus não estava indiferente aos fatos ao seu redor. Na cruz, em meio as dores intensas que sentia, ele diz à sua mãe biológica: Mulher, eis ai o teu filho, indicando-lhe o discípulo amado. Ao discípulo amado, ele diz, indicando-lhe Maria: Filho, eis ai a tua mãe. Mesmo ali, Jesus está demonstrando seu cuidado e intenção de prover um lar onde haveria segurança e amor para aquela que fora o instrumento de Deus para trazê-lo a este mundo. Na cruz, olhando os soldados que o escarneciam, Ele intercede ao Pai, dizendo: Perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. Entretanto, quanto, àqueles dois homens que clamavam por salvação ao seu lado, Jesus os ignorou completamente durante praticamente todo o tempo de sua agonia. Porque? Avaliando a atitude deste ladrão citado por Lucas, três coisas ficam claras: A primeira é que ele
reconhecia que Jesus era o Cristo. O Messias. O enviado de Deus para salvar a
humanidade. A segunda é que ele reconhecia que Jesus poderia descer da cruz e
salvá-lo da morte. A terceira é que, mesmo ali, a poucas horas da morte certa, ele não admitia de modo algum reconhecer que Jesus era o Senhor. Ele queria um salvador. Ele clamava por um salvador. O Salvador
estava ao seu lado e, apesar de ser, de fato, o salvador, Jesus o ignorou completamente. Ele morreu na cruz e foi para o
inferno onde pagará, por sua vida de pecados, por toda a eternidade. Por que ele foi ignorado? Porque Jesus não
salva aqueles que o querem apenas como salvador! O outro ladrão, porém, ao observar a atitude de Jesus, durante as horas de sofrimento na cruz, aos poucos foi percebendo o que de fato estava acontecendo ali. Ele entendeu que não era simplesmente a execução de uma sentença humana, aplicada
pelos soldados romanos. Ele compreendeu que estava ali,
diante dos seus olhos, o próprio filho de Deus, sofrendo uma sentença
determinada pelo próprio Deus, desde a fundação do mundo (Ap
13.8), para pagar pelos pecados daqueles que jamais poderiam pagar por si
mesmos sua dívida eterna (Gl 3.13). É por isso que ao se dirigir a seu companheiro de
infortúnio ele o faz nestes termos: “Nem ao menos temes a Deus, estando sob
igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os
nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez” (Jo 23.40-41). Este malfeitor demonstra com suas palavras
que, em primeiro lugar ele
reconhece que Jesus é Deus, pois diz que Deus está sofrendo uma sentença igual
a deles. Em segundo lugar ele
reconhece sua culpa e a justiça da sua sentença, pois era o que seus atos
mereciam, uma sentença de morte. Em terceiro
lugar fica subentendido que ele percebe que quem aplica a sentença é o
próprio Deus, pois, como o homem poderia condenar e sentenciar aquele que,
embora em forma humana é reconhecido como sendo o próprio Deus. O que estava sendo castigado ali não eram os crimes cometidos contra o império romano, mas os pecados de toda a humanidade, cometidos contra a vontade soberana de Deus. Estava sendo satisfeita ali, não a justiça dos homens, mas a justiça de Deus. Reconhecendo em Jesus, o Senhor da
vida e da morte, ele pode então confiadamente dirigir-se a Jesus, dizendo: “Jesus,
lembra-te de mim quando vieres no teu reino” (Jo 23.42). Este ladrão, com
estas palavras, demonstra ter compreendido algumas das mais importantes verdades
reveladas por Deus. A primeira
delas é que Jesus iria morrer na cruz, mas não permaneceria morto, ele iria
voltar. A segunda destas
verdades, é que ele voltaria “no teu reino” ou seja, Jesus possuía um
reino que seria a realidade final para os bem aventurados que chegassem a ele.
Em terceiro lugar, a entrada
neste reino dependia inteiramente do reconhecimento do senhorio de Jesus. É por
isso que ele humildemente se dirige a Jesus dizendo: “lembra-te de mim,
quando vieres no teu reino”. Eram dois malfeitores, ambos reconheciam que Jesus era o Cristo, ambos reconheciam que ele poderia salvá-los, ambos desejavam
um salvador, ambos queriam que Jesus se tornasse seu salvador. Mas, somente um, percebeu que Jesus não iria
descer da cruz e livrá-lo da dor e da morte física, porque o próprio Jesus estava ali, sofrendo e entregando, voluntariamente, sua
vida de valor infinito, pagando assim a nossa dívida eterna. Ele estava ali
remindo-nos da escravidão ao pecado. Estava ali comprando-nos para si mesmo a
fim de devolver-nos a liberdade, e conceder-nos a verdadeira vida, no reino eterno (Lc 23.43).
Diante destes fatos precisamos nos perguntar. E, para nós, quem é Jesus? Como queremos nos relacionar com Ele. Reconhecemos que Ele é nosso Senhor ou apenas nosso salvador? Como o temos tratado? Quero
terminar esta reflexão contando uma pequena história real que nos foi contada
pelo pastor Carlos Queiroz, no Congresso de Pastores da Igreja Presbiteriana
Independente do Brasil, realizado em setembro último, em Poços de Caldas, MG. Segundo o pastor
Carlos, ele começou a aproximar-se de uma determinada pessoa desejoso de
compartilhar o evangelho de Jesus. Este homem sendo muito católico, se
mostrava bastante arredio. Quanto mais o pastor Carlos se mostrava simpático e
interessado no seu bem estar, mais ele se mostrava desconfiado de suas
intenções. Por fim, em determinado dia, ao cumprimentá-lo o mesmo lhe
disse: - antes de mais nada quero lhe
informar que sou devoto de são benedito (para ser absolutamente verdadeiro não
lembro com certeza se era este o santo). Ao que lhe respondeu o pastor Carlos:
- Que bacana, mas me diga, o senhor é devoto ou seguidor? - O homem então
lhe respondeu: - E tem diferença? - E, ele
lhe disse: ´- É claro que tem; o devoto admira o santo, fala bem do santo, faz
promessas para o santo e em troca deseja receber suas bênçãos. Já o seguidor,
vive como o santo viveu. Por exemplo, se o senhor fosse devoto de São Francisco
o senhor o admiraria, falaria bem dele, lhe faria promessas e esperaria ser
abençoado por ele, mas, se fosse seu seguidor, o senhor não teria este comércio,
o senhor o venderia, distribuiria seus bens aos pobres e viveria como São
Francisco viveu, pregando o evangelho e
cuidando dos pobres. Naquela noite, quando foi orar, o pastor Carlos, surpreendeu-se
ao ouvir a voz suave e amorosa do Espírito Santo dizendo-lhe: - E você, meu
filho, é meu devoto ou meu seguidor?
Neste momento precisamos examinar nossos corações com honestidade. Precisamos nos perguntar: O que temos desejado que Jesus seja para nós? O Senhor, ou apenas o
Salvador? Se o queremos apenas como salvador, então, somos apenas devotos que o
admiram, falam bem dele e esperam ser abençoados em troca. Neste caso, a
solução para nós é a mesma oferecida por Pedro aos que o ouviam: Arrependam-se! Se esta for a nossa situação precisamos urgentemente de arrependimento, pois, se
não nos arrependermos de querer Jesus com uma intenção meramente utilitarista, nos colocamos no mesmo nível daquele malfeitor que reconhecia que Jesus era o
Cristo, que Ele poderia salvá-los, mas que, apesar disso, acabou indo para o inferno. Mas, se
reconhecemos que Ele é nosso Senhor, então temos ordens a seguir, uma missão a
cumprir (Mt 28.18-20) e precisamos entender que, acima de qualquer outro, Jesus Cristo sendo o Senhor, tem o
direito de determinar e controlar a agenda de nossas vidas.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Devemos amar a Deus de todo o nosso coração - Dt 6.4-9
Jesus afirmou ser este o maior de todos os mandamentos (Mc 12.29-30). Não há outra ordem mais importante do que esta, portanto, precisamos obedecê-la. Este mandamento ocupava um lugar de proeminência na vida do povo de Israel. Era recitado diariamente por toda a nação como um ensinamento que jamais deveria ser esquecido. Apesar disso, Jesus deixou claro que a nação de Israel, com toda a sua religiosidade nem conhecia a Deus, nem tampouco o amava (Jo 5.39-40). A rejeição final de Jesus e a Cruz são as provas mais contundentes dessa realidade.
A palavra hebraica traduzida por ouve, é shema; por isso a tradição judaica chama esse versículo de shemá. O povo de Israel, no tempo de Jesus, recitava o Shemá diariamente, porém, a esmagadora maioria do povo, incluindo suas autoridades, não conhecia o Senhor, e não aceitava a descrição profética do Messias como um homem de dores, acalentando e amando, em seus corações, a imagem de um "messias" criado por sua própria imaginação e conformado às suas expectativas de vitória militar contra os seus inimigos estrangeiros.
A ignorância do povo, nos tempos de Jesus, com respeito àquilo que a Palavra de Deus dizia a seu respeito, tinha uma razão simples de entender. A fé do povo era formada e alimentada pelo ensino dos rabinos e doutores da lei (escribas, fariseus e saduceus, alem dos sacerdotes que ministravam no templo) que tinham o acesso ao texto da lei e dos escritos proféticos, mas que os interpretavam para o povo a partir de sua própria tradição que era colocada em pé de igualdade com as Escrituras, e as vezes, até mesmo, acima delas. Ao fazer isso, tais mestres colocavam a Revelação Divina (Palavra de Deus) em pé de igualdade com a tradição (palavra de homens). Ao povo, que nos tempos de Jesus, já não conhecia o hebraico, restava acreditar no que os rabinos diziam. Isso, porque, o povo que havia retornado do exílio na Babilônia, ao voltar, já não conhecia o idioma hebraico, pois durante os setenta anos do cativeiro eles perderam o contato com sua língua materna e a esqueceram. Os que retornaram voltaram falando o aramaico, língua da Babilônia, e já não tinham acesso ao texto sagrado, escrito em hebraico, ficando completamente dependente da interpretação dos rabinos e de sua orientação espiritual. Era um processo semelhante ao que aconteceu durante a idade média no seio da igreja cristã. Nesta, os sacerdotes liam a Bíblia para o povo em latim, recitavam a missa em latim, e ao povo, que não falava nem lia o texto na língua latina, restava apenas acreditar no que os sacerdotes diziam. Tanto num caso como no outro, a Palavra de Deus acabou sendo corrompida e o povo vivia no engano. Por isso, é que foi necessária a sequência ilustrativa dos "Ouvistes o que foi dito aos antigos, ... Eu porém, vos digo..." pronunciados por Jesus, no sermão do monte (Mt 5.21-48).
Esta situação espiritual caracterizava-se por uma profunda religiosidade que se expressava através de rituais realizados mecanicamente no templo e por uma postura legalista em relação aos vários aspectos da vida. É por isso que o apóstolo Mateus, ecoando as palavras do profeta Isaías, ao relatar o início do ministério público de Jesus, o faz em termos de um clarão de luz que surge de repente em meio às trevas (Mt 4.16). Eram trevas espirituais tão intensas que, embora o povo tenha se alegrado inicialmente com os milagres realizados por Jesus, logo, em pouco mais de um ano de ministério, e a medida que o Senhor ia ficando mais e mais conhecido por meio de seu ensino, aumentava gradativamente a rejeição daqueles que ouviam o verdadeiro significado da Palavra de Deus. Tal rejeição culminou no grande clamor diante de Pôncio Pilatos: Crucifica-O, e demonstrou claramente que o "senhor" ao qual a nação se referia diariamente, ao recitar o shemá, não era aquele que havia falado face a face com Moisés e que durante séculos havia protegido, repreendido e exortado à nação ao arrependimento, através de todos os seus profetas. Era, antes, um "senhor" criado à imagem e semelhança dos desejos de seus próprios corações, e ao qual estavam dispostos a "servir" com sua religiosidade em troca da satisfação de seus desejos políticos e sociais.
Diante de tudo isso, a grande pergunta que nós mesmos devemos nos fazer é esta: A que Senhor estamos servindo? Servimos ao Senhor que se auto revelou nas Escrituras Sagradas, e nos deu mandamentos para obedecer? Ou servimos a um "senhor" cujos valores foram elaborados em nossas próprias mentes? Servimos ao Jesus Cristo de Nazaré, cujos ensinos conduzem a vida eterna ou ao cristo do rádio e da televisão que promete uma vida de riquezas e status? Ao Jesus Cristo de Nazaré, que nos prometeu que neste mundo teríamos tribulações ou ao "cristo" da mídia e dos shows que nos promete vitórias que se manifestam em em uma vida confortável e livre de problemas e dificuldades?
Creio que o grande perigo que corremos hoje é que venhamos a repetir o erro dos judeus que receberam a visitação histórica do Deus que se fez homem. O erro de praticar uma religião com rituais baseados na Bíblia, porém, servindo, em nossos corações, a um "cristo" criado à imagem e semelhança dos nossos desejos de segurança e conforto. Uma religião na qual recitamos promessas enquanto, através de nosso estilo de vida, rejeitamos os deveres e a vocação ao serviço sacrificial exigido daqueles são chamados para a vida do Reino de Deus. Idolatria não é apenas o ato de se prostrar diante de uma estátua feita de madeira ou gesso e prestar-lhe adoração. Idolatria é serviço religioso oferecido a qualquer ídolo, mesmo que este seja um ídolo imaterial, construído em nossas mentes, e feito à imagem e semelhança de nossos desejos, por mais piedosos que estes possam parecer.
Para fugir a este perigo precisamos ser relembrados constantemente daquilo que Moisés ensinou ao povo e que Jesus afirmou ser a mais importante de todas as ordens dadas por Deus. O Senhor, a quem devemos amar, é o Deus triuno: Pai, Filho e Espírito Santo, que se revelou historicamente ao povo de Israel e se revela a nós, hoje, nas Escrituras Sagradas. E não podemos amá-lo sem conhecê-lo. Não podemos conhecê-lo, sem encontrá-lo. Não podemos encontrá-lo sem procurá-lo, e não podemos procurá-lo sem que o façamos com todo o nosso coração. É isto que Ele nos diz através do profeta Jeremias: Buscar-me-eis e me encontrareis quando me buscardes de todo o vosso coração (Jr 29.13). Deus não se deixa encontrar por aqueles que o buscam com intenções espúrias no coração. Ele não é achado por aqueles que criaram em seus corações a imagem de um deus disposto a satisfazer seus desejos egoístas e a receber adoração oferecida a partir de valores e condições humanas. Quando estas pessoas buscam a Deus desta maneira encontram apenas o enganador, capaz de se transfigurar em anjo de luz (2 Co 11.14), e assumir a forma de qualquer tipo de deus que tenha sido moldada nos corações dos homens. O profeta Oséias falando acerca da nação de Israel, nos revela o sentimento do coração de Deus nestas palavras: "O meu povo consulta o seu pedaço de madeira, e a sua vara lhe dá resposta; porque um espírito de prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus" (Os 4.12), O que o profeta está ensinando nesta passagem é que o povo consultava os ídolos e os ídolos lhes davam resposta, mas não que os ídolos em si pudessem fazê-lo, na verdade era um demônio, aqui chamado de espírito de prostituição, que os enganava levando-os cada vez mais para longe do seu Deus. E isto é assim porque aqueles que rejeitaram à verdade claramente revelada nas Escrituras, recebem como punição de Deus, nesta vida, a operação do erro (2 Ts 2.11) que é uma autorização dada aos demônios para que continuem a enganar tais pessoas afim de que não se convertam e não sejam salvas (2 Cr 18.21-22).
Em segundo lugar, precisamos compreender, crer e colocar em prática em nossas vidas esta verdade: O amor a Deus só é real quando se expressa através da obediência a sua vontade (Jo 14:21). Jesus foi enfático com respeito a isto (Jo 9.37-40). Obedecer a Deus exige de nós uma espécie singular de desobediência, porque exige que paremos de obedecer aos desejos de nossa própria carne. Dentro de nós há uma batalha constante. O Espírito luta contra a carne e a carne luta contra o Espírito (Gl 5.17). É uma luta diária pela nossa obediência. Quem vencerá esta luta? A resposta honesta para esta pergunta é: aquele que for mais bem alimentado. É por isso que o texto sagrado nos orienta a alimentar o espírito constantemente: assentado em casa, andando pelo caminho, ao levantar e ao deitar. Na condição atual em que nossa natureza humana se encontra, degenerada pelo pecado, não temos forças próprias para resistir ao pecado e obedecer a Deus. É por isso que precisamos nos alimentar de sua Palavra e da comunhão com o Senhor através da oração, para buscar, no próprio Senhor, a força necessária para amá-lo e servi-lo (Rm 5.5 e Ef 6.10).
Em terceiro lugar precisamos entender que recebemos a missão de ensinar outros a amarem e a servirem a Deus, começando por nossas próprias famílias. Precisamos transmitir a Palavra de Deus à próxima geração, através do ensino e através do exemplo (Pv 22.6). Isto não é uma opção para os que amam a Deus. É a nossa missão. É importante entender que o texto de provérbios citado acima não nos diz para ensinar à criança "o" caminho, mas para ensinar "no" caminho. É preciso estar no caminho para poder ensinar o caminho de Deus, porque a criança sempre irá aprender a andar, andando. No caminho em que ela andar a medida que cresce ela continuará a andar quando já for adulta. É por isso que é tão importante ensinar a criança a ter, desde pequena, compromisso com as coisas de Deus. A participação nos cultos, a prática da entrega dos dízimos e de ofertas, o hábito de visitar as pessoas enfermas para desenvolver a sensibilidade pela dor dos que sofrem, a prática da oração e tantas outras disciplinas da vida cristã. Muitas pessoas parecem acreditar que basta ir à igreja domingo a noite e então as coisas se resolverão por si mesmas. Elas ocupam a vida dos filhos com toda espécie de atividade de modo que a semana inteira é passada longe do templo, longe da igreja que se reúne no templo, longe da prática das disciplinas espirituais da comunhão, da oração comunitária, do estudo bíblico devocional, da generosidade auditiva, da responsabilidade coletiva na manutenção do culto a Deus e da oferta da graça, através do testemunho pessoal, aos que ainda não conhecem a Cristo. E ainda esperam que, quando seus filhos cresceram se tornem bons crentes. Isto é quase impossível. Os provérbios são truísmos. Não devem ser interpretados como promessas nem como profecias. Um truísmo é uma declaração tão tendente a ser verdadeira que na maioria dos casos se mostra verdadeira. O que este versículo ensina é que no caminho em que a criança crescer, para o bem ou para o mal, ela provavelmente permanecerá até quando for uma pessoa idosa.
Crianças que desde cedo aprenderem a andar nos caminhos do Senhor tem grandes possibilidades de permanecer neles por toda a sua vida. Aquelas, porém, que crescerem longe dos caminhos do Senhor, tem iguais possibilidades de permanecerem a vida toda longe de Deus. As que crescerem na igreja, praticando uma fé superficial, provavelmente serão adultos que praticarão uma fé igualmente superficial. Andar nos caminhos do Senhor não é imitar o exemplo do povo de Israel, que recitava o shemá diariamente, porém, não amava o Senhor que se revelara nas Escrituras, antes, amavam seus próprios ídolos, criados no interior dos seus próprios corações, aos quais chamavam de Deus. Amar a Deus é dar a ele o espaço devido na agenda de nossas vidas, de modo que ele e somente ele tenha a primazia em todas as coisas.
Neste ponto torna-se importante perguntarmos. Como podemos saber que amamos a Deus da forma como ele exige? Para responder a esta pergunta precisamos entender no que consiste o desamor a Deus. E para entender tal coisa precisamos voltar nossa atenção ao local onde tudo começou. O Jardim do Éden. Ao criar os seres humanos, Deus os estabeleceu no Jardim e os investiu de autoridade sobre toda a criação, abaixo apenas do próprio criador, com quem mantinham uma relação de submissão amorosa. A obediência a Deus era natural pois nada havia neste relacionamento que induzisse o homem e a mulher á desobediência. Isto, porém, foi até o momento em que entrou em cena um novo personagem. A serpente! O texto sagrado a descreve como "... o mais sagaz de todos os animais selváticos..." (Gn 3.1). Este novo personagem fala à mulher de modo a induzir ao erro. Ao garantir a mulher que eles não morreriam ao comer do fruto proibido, a serpente, identificada no livro do Apocalipse como sendo uma encarnação de satanás (Ap 12.9; 20.2), leva a primeira mulher a crer que Deus havia mentido, que ele proibira que comessem aquele fruto por motivos egoístas, para impedir que se tornassem como ele, conhecedores do bem e do mal. Ao abrigar este pensamento em seu coração Eva, já não era mais uma pessoa numa relação de amorosa submissão a Deus. O desejo de desobedecer se instalara em seu coração. Ela, agora, acreditava que Deus não merecia sua confiança. Pronto! O desamor a Deus havia entrado na história da humanidade. A mulher era, a partir de então, uma pessoa que desconfiava dos propósitos de Deus para sua vida. E estava disposta a ser insubmissa e conquistar o "direito" de conhecer, por si mesma, ou seja, através da experiência pessoal, o que era o bem e o mal. Deixe-me colocar a situação da seguinte maneira: o primeiro casal não se tornou pecador ao comer do fruto proibido. Eles o comeram por já serem pecadores. Esta é a natureza do pecado: antes de ser uma ação objetiva que acontece no tempo e no espaço, como o ato de desobedecer uma ordem dada, o pecado é algo espiritual, uma disposição da vontade, um desejo interno contrário à vontade de Deus. É por este motivo que Jesus afirma que: "O homem que olhar para uma mulher com intenção impura, em seu coração, já adulterou com ela (Mt 5.28).
O desamor a Deus manifestou-se como um desejo interno de nossos primeiros pais de determinar por si mesmos o que era o bem e o mal. Este desejo interno manifestou-se externamente na desobediência do primeiro casal. Ainda hoje, o desamor a Deus continua a manifestar-se na desobediência à vontade de Deus, e, na insistência obstinada da humanidade em determinar, por si mesma, o que é o bem e o mal. As estatísticas sobre abortos, crimes de morte e divórcios. As leis aprovando os casamentos de pessoas do mesmos sexo juntamente com as leis que visam proibir a livre manifestação do pensamento daqueles que discordam, e as passeatas que procuram intimidar o testemunho e a ação da igreja , são todas manifestações externas, daquilo que, internamente, os seres humanos já determinaram em seus corações como sendo o bem e o mal.
Resta então perguntar: E nós, que estamos na igreja de Jesus Cristo. Temos aceitado que a Palavra de Deus defina para nós o que é o bem e o mal, o que é certo e o que é errado em termos morais. Como homens e mulheres de Deus, temos assumido o papel que a Palavra de Deus designa para cada um de nós como maridos, esposas, pais, filhos, empregados, patrões ou cidadãos, ou temos decidido por nós mesmos, o que nos parece ser o certo em cada uma destas áreas.
Uma coisa é certa: Não podemos afirmar que amamos a Deus de todo o nosso coração, com todo o nosso entendimento e com todas as nossas forças, se não estivermos dispostos a ser obedientes em todas estas áreas de nossas vidas.
Ao finalizar esta reflexão quero dizer que temos o desafio de examinar nossos próprios corações, com honestidade, a fim de verificar se em nossas vidas o bem e o mal são definidos de fato pela Palavra de Deus ou pelos ditames do mundo, e, se encontrarmos alguma área ondes estas definições não sejam feitas pela revelação de Deus, que imediatamente, a levemos cativa à obediência do Senhor Jesus Cristo (2 Co 10.4-5). Amém.
Crianças que desde cedo aprenderem a andar nos caminhos do Senhor tem grandes possibilidades de permanecer neles por toda a sua vida. Aquelas, porém, que crescerem longe dos caminhos do Senhor, tem iguais possibilidades de permanecerem a vida toda longe de Deus. As que crescerem na igreja, praticando uma fé superficial, provavelmente serão adultos que praticarão uma fé igualmente superficial. Andar nos caminhos do Senhor não é imitar o exemplo do povo de Israel, que recitava o shemá diariamente, porém, não amava o Senhor que se revelara nas Escrituras, antes, amavam seus próprios ídolos, criados no interior dos seus próprios corações, aos quais chamavam de Deus. Amar a Deus é dar a ele o espaço devido na agenda de nossas vidas, de modo que ele e somente ele tenha a primazia em todas as coisas.
Neste ponto torna-se importante perguntarmos. Como podemos saber que amamos a Deus da forma como ele exige? Para responder a esta pergunta precisamos entender no que consiste o desamor a Deus. E para entender tal coisa precisamos voltar nossa atenção ao local onde tudo começou. O Jardim do Éden. Ao criar os seres humanos, Deus os estabeleceu no Jardim e os investiu de autoridade sobre toda a criação, abaixo apenas do próprio criador, com quem mantinham uma relação de submissão amorosa. A obediência a Deus era natural pois nada havia neste relacionamento que induzisse o homem e a mulher á desobediência. Isto, porém, foi até o momento em que entrou em cena um novo personagem. A serpente! O texto sagrado a descreve como "... o mais sagaz de todos os animais selváticos..." (Gn 3.1). Este novo personagem fala à mulher de modo a induzir ao erro. Ao garantir a mulher que eles não morreriam ao comer do fruto proibido, a serpente, identificada no livro do Apocalipse como sendo uma encarnação de satanás (Ap 12.9; 20.2), leva a primeira mulher a crer que Deus havia mentido, que ele proibira que comessem aquele fruto por motivos egoístas, para impedir que se tornassem como ele, conhecedores do bem e do mal. Ao abrigar este pensamento em seu coração Eva, já não era mais uma pessoa numa relação de amorosa submissão a Deus. O desejo de desobedecer se instalara em seu coração. Ela, agora, acreditava que Deus não merecia sua confiança. Pronto! O desamor a Deus havia entrado na história da humanidade. A mulher era, a partir de então, uma pessoa que desconfiava dos propósitos de Deus para sua vida. E estava disposta a ser insubmissa e conquistar o "direito" de conhecer, por si mesma, ou seja, através da experiência pessoal, o que era o bem e o mal. Deixe-me colocar a situação da seguinte maneira: o primeiro casal não se tornou pecador ao comer do fruto proibido. Eles o comeram por já serem pecadores. Esta é a natureza do pecado: antes de ser uma ação objetiva que acontece no tempo e no espaço, como o ato de desobedecer uma ordem dada, o pecado é algo espiritual, uma disposição da vontade, um desejo interno contrário à vontade de Deus. É por este motivo que Jesus afirma que: "O homem que olhar para uma mulher com intenção impura, em seu coração, já adulterou com ela (Mt 5.28).
O desamor a Deus manifestou-se como um desejo interno de nossos primeiros pais de determinar por si mesmos o que era o bem e o mal. Este desejo interno manifestou-se externamente na desobediência do primeiro casal. Ainda hoje, o desamor a Deus continua a manifestar-se na desobediência à vontade de Deus, e, na insistência obstinada da humanidade em determinar, por si mesma, o que é o bem e o mal. As estatísticas sobre abortos, crimes de morte e divórcios. As leis aprovando os casamentos de pessoas do mesmos sexo juntamente com as leis que visam proibir a livre manifestação do pensamento daqueles que discordam, e as passeatas que procuram intimidar o testemunho e a ação da igreja , são todas manifestações externas, daquilo que, internamente, os seres humanos já determinaram em seus corações como sendo o bem e o mal.
Resta então perguntar: E nós, que estamos na igreja de Jesus Cristo. Temos aceitado que a Palavra de Deus defina para nós o que é o bem e o mal, o que é certo e o que é errado em termos morais. Como homens e mulheres de Deus, temos assumido o papel que a Palavra de Deus designa para cada um de nós como maridos, esposas, pais, filhos, empregados, patrões ou cidadãos, ou temos decidido por nós mesmos, o que nos parece ser o certo em cada uma destas áreas.
Uma coisa é certa: Não podemos afirmar que amamos a Deus de todo o nosso coração, com todo o nosso entendimento e com todas as nossas forças, se não estivermos dispostos a ser obedientes em todas estas áreas de nossas vidas.
Ao finalizar esta reflexão quero dizer que temos o desafio de examinar nossos próprios corações, com honestidade, a fim de verificar se em nossas vidas o bem e o mal são definidos de fato pela Palavra de Deus ou pelos ditames do mundo, e, se encontrarmos alguma área ondes estas definições não sejam feitas pela revelação de Deus, que imediatamente, a levemos cativa à obediência do Senhor Jesus Cristo (2 Co 10.4-5). Amém.
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