“Esteja
absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós
crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. At 2.36
Quando Pedro afirma, diante dos
judeus presentes à festa do Pentecostes, que Jesus fora feito, por Deus, Senhor e
Cristo, estes sentem-se compungidos em seus corações. Um sentimento de temor se
apodera daqueles que ali estavam e, tal sentimento é tão forte que eles se
voltam para os apóstolos perguntando: Que faremos irmãos? (v.37) É interessante
notar que estes que fazem esta pergunta são os mesmos que, alguns poucos minutos antes mostravam apenas curiosidade, e no
caso de alguns, até escárnios, por causa do fenômeno da descida do Espírito
Santo e das manifestações de línguas através dos apóstolos. Porque tal mudança
de atitude? O que os levou a sentir tanto temor diante da pregação de Pedro?
Para responder a estas perguntas
de modo satisfatório precisamos entender o que os homens daquela época
entendiam por Senhor? Hoje em dia, a palavra senhor é usada ordinariamente como uma forma
respeitosa de tratamento. Uma palavra que nos permite dirigir-nos a uma pessoa
do sexo masculino, adulta ou mais velha do que nós, de forma a demonstrar
respeito ou consideração. Não era este o uso da palavra senhor no tempo dos
apóstolos. Quando os judeus que, com sinceridade ou não, se aproximavam de
Jesus desejando mostrar-lhe respeito ou consideração, chamavam-no de Rabi, ou
de Mestre, não de Senhor. Era assim com todos os demais líderes da nação. Isso,
porque, a palavra Senhor designava apenas uma única pessoa em todo o império.
Senhor era o imperador. Aquele que tinha poder de vida ou morte sobre todos os
súditos. No caso daqueles que habitavam o império romano, este era um título
que se aplicava unicamente a César, único senhor reconhecido no império, do
qual aquela região era apenas uma das províncias. O discurso de Pedro que
culmina com esta espantosa revelação traz aos ouvidos daqueles religiosos
judeus uma certeza assustadora: Aquele Jesus, que apenas poucas semanas antes,
havia sido brutalmente assassinado pelos romanos, a pedido dos judeus, Deus o
fizera, Senhor e Cristo. Ele agora tinha, da parte de Deus, poder de vida e morte sobre todos, judeus e
gentios. Ele agora era aquele que, no futuro, iria julgar vivos e mortos e lhes
anunciar a sentença eterna (Dn 12.2).
Nossa situação hoje é bastante
diferente. Vivemos numa época em que muito se fala de Jesus. A palavra senhor é usada indiscriminadamente, inclusive para referir-se a Jesus Cristo. Dificilmente,
porém, poderíamos dizer que, em meio às multidões que lotam os templos, há
entendimento e submissão real ao senhorio de Cristo. Todos parecem estar
dispostos a receber alegremente um salvador, porém, poucos parecem dispostos a
permitir que alguém se torne de fato Senhor em relação às suas vidas, mesmo que
este Senhor seja o próprio Jesus Cristo de Nazaré. Quero ilustrar este fato com uma lembrança de alguns anos atrás. Ainda tenho bem vivas em minha memória as imagens de uma cerimônia fúnebre, em que os familiares de vários jovens, vítimas de uma acidente automobilístico lotavam o templo de uma igreja evangélica. O pastor da igreja, que presidia a cerimônia, ao iniciar sua prédica fez três perguntas àquelas pessoas. Ele perguntou: quantos aqui acreditam que Deus existe? Todos levantaram suas mãos. Em seguida, ele perguntou: Quantos acreditam que Jesus Cristo é o salvador? E, novamente, todos levantaram suas mãos. Finalmente, ele perguntou: E, quantos aqui, já reconheceram que Jesus é o Senhor de suas vidas? Desta vez, apenas seis pessoas levantaram suas mãos. É disto que trataremos hoje nesta reflexão. Jesus Cristo é o Salvador, mas não salva quem não o reconhece como o Senhor!
É por essa razão que precisamos
examinar os motivos pelos quais devemos reconhecer que Jesus é o Senhor de nossas vidas. E também devemos viver vidas que demonstrem o reconhecimento deste senhorio. Quero
listar apenas três razões: Em primeiro lugar, Jesus Cristo de Nazaré é o Senhor por direito
de Criação. Aquele que cria é senhor da obra criada. As Escrituras Sagradas nos
informam solenemente que “todas as coisas foram feitas por intermédio dele,
e sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Bem, todas as coisas
incluem a mim e a vocês. Foi Jesus que, de um modo extraordinário nos gerou no
ventre de nossas mães. Foi ele que, antes mesmo de nascermos, escreveu e
determinou cada um dos nossos dias (Sl 139.16). Ele, sendo o criador, é também
o sustentador de todas as coisas. O escritor aos hebreus refere-se a Jesus como
aquele que sustenta “... todas as coisas pela palavra do seu poder..."
(Hb 1.3). Ele é o criador e o
sustentador de todas as coisas e, portanto, ele é que irá determinar o fim de
cada uma delas. O mundo e o destino do mundo está em suas mãos e ele apenas
espera o momento certo para julgá-lo (At 17.30-31).
Em segundo lugar, Jesus Cristo de Nazaré é O Senhor por designação
do Pai. Os judeus que ouviram a pregação de Pedro sentiram-se profundamente tocados quando
este lhes declarou: “Deus o fez Senhor e Cristo”. Aquele a quem eles
adoravam honrara Àquele a quem eles mataram, designando-o como O Senhor e O
Cristo. Para os apóstolos este conhecimento viera antes da morte de Jesus. No
monte da transfiguração Pedro havia ouvido a voz de Deus de modo claro quando
Este lhes falou: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi”
(Mt 17.1-5). Nesta frase, dirigida aos apóstolos Pedro, Tiago e João, no alto
do monte onde Jesus havia se transfigurado diante deles, Deus afirma duas
verdades que não podiam ser contestadas: a primeira é que Jesus era seu filho
amado. Filho em um sentido que nenhum outro ser humano poderia ser. Nós nos
tornamos filhos de Deus por adoção, por um ato da graça de Deus (Rm 8.23, Gl
4.5 e Ef 1.5), ao recebermos Jesus Cristo como Senhor de nossas vidas (Jo 1.12).
Jesus, porém, era filho de Deus em um sentido único. Ele é o unigênito do Pai.
A segunda pessoa da trindade santa, unido à natureza humana, para resgatar a
humanidade do seu destino de perdição. A segunda revelação feita aos discípulos
no alto do monte se resume nas palavras: “a ele ouvi”. Pedro já havia
confessado em uma outra ocasião “Senhor, para quem iremos? Tu tens as
palavras da vida eterna” (Jo 6.68). A ordem de Deus agora deixa isto mais
claro ainda. Jesus Cristo, o carpinteiro de Nazaré, é aquele que deve ser
ouvido acima de qualquer outro. Suas palavras tem a autoridade do próprio Deus
Pai.
Em terceiro lugar, Jesus Cristo de Nazaré é Senhor por direito de
remissão. Um dos direitos que o povo de Israel havia recebido na aliança feita
por Deus com a nação, no monte Sinai, era o de remissão. Qualquer israelita
que, empobrecido, fosse reduzido a condição de escravo, poderia ser remido, ou
seja, comprado de volta por um parente que tivesse condições para isso, de
forma a recuperar a liberdade e a dignidade de homem livre. O apóstolo Paulo
escrevendo aos coríntios exorta-os a não se fazerem de novo escravos de
homens porque eles haviam sido comprados por um elevado preço, e, por causa
disso eles deveriam glorificar a Deus nos seus próprios corpos (1 Co 6.20;
7.23). E o apóstolo João, em sua visão das coisas que haveriam de acontecer,
teve o privilégio de ouvir o cântico dos remidos que haviam sido comprados
da terra (Ap 14.3). Ora, podemos perguntar: Como Jesus Cristo de Nazaré nos comprou? Ele nos comprou na cruz,
ao saldar a nossa dívida de valor eterno com sua vida de valor infinito.
Juridicamente falando, nenhum ser humano poderia, pode ou poderá salvar-se a si
mesmo. Existem religiões que ensinam que o ser humano pode alcançar a salvação
através da prática das boas obras, esta, porém, é uma doutrina enganosa, porque
desconsidera os fatos como eles de fato são. Bem. vamos aos fatos. Quando nossos
primeiros pais pecaram eles cometeram um crime, cuja sentença anunciada era a
morte. Seu pecado foi o de querer ser igual a Deus, conhecedores do bem e do
mal. Quiseram decidir por si mesmos o que era o bem e o mal e por isso
desobedeceram a Deus. Em outras palavras, não ouviram a Deus. Preferiram
ouvir a serpente, encarnação do diabo conforme nos informa o livro do
apocalipse (Ap 12.9; 20.2). O pecado
cometido era uma ofensa de valor infinito, porque cometido contra o Deus
eterno, infinito em todas a suas perfeições, e em todos os seus atributos de poder e bondade. Assim sendo, a
penalidade, necessariamente, também é de valor infinito. Isto, posto, podemos
entender porque o ser humano jamais poderá salvar-se a si mesmo. Como criatura
de Deus, o ser humano é finito. Suas obras, por melhor que sejam, são de valor
finito, sua própria vida é de valor finito. Assim, sendo, o único meio do ser
humano pagar por sua culpa de valor infinito com sua vida finita é sofrendo a
penalidade infinitamente, ou seja, sofrendo a condenação eterna. Não era este o
caso de Jesus Cristo de Nazaré. Ele é o Deus homem. Nascido sem pecado. Viveu
uma vida perfeita, sem pecado. E, sendo o próprio Deus encarnado, sua vida tem
valor infinito. Ele, sim, poderia pagar nossa dívida de valor infinito com sua
vida de valor igualmente infinito, e uma vez que a dívida estivesse paga, poderia
retornar a vida, pois como sua vida possui valor infinito ele não precisa
sofrer a penalidade infinitamente como nós teríamos que sofrer. É por este
motivo que o Senhor Jesus nos diz: “... eu dou a minha vida para a
reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou.
Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi do
meu Pai” (Jo 10.17-18). Quando, Jesus, em sua agonia na cruz, disse: “Está
consumado”. Ele estava dizendo: A dívida foi totalmente paga. É por isso
que após dizer isto ele “inclinando a cabeça rendeu o espírito” (Jo
19.30). Já não havia mais o que sofrer, nem porque sofrer. O valor infinito da
ofensa feita à honra da trindade santa havia sido integralmente pago pelo valor
infinito de sua vida. Ele é o Senhor porque nos comprou, resgatando-nos de nossa escravidão ao
pecado, com o preço de sua vida de valor infinito.
Diante destes fatos, resta-nos perguntar: O que Jesus é para nós?
Para milhões de seres humanos ele é apenas um salvador desejado. Um cara legal, que gosta
demais dos seres humanos, e que de maneira nenhuma vai deixá-los perecer no inferno.
Este, porém, não é o retrato que a Bíblia pinta de Jesus de Nazaré. É verdade
que o próprio Jesus disse que “veio buscar e salvar o que se havia perdido”
(Lc 19.10). Mas é igualmente verdadeiro que esta salvação não é oferecida de
modo indiscriminado e muito menos de modo banal. O anuncio da salvação, feito
pelo próprio Jesus de Nazaré era feito nestes termos: “arrependei-vos e
crede no evangelho” (Mc 1.15). Duas exigências encontramos aqui. Arrependimento e confiança no que ele dizia,
ou seja, arrependimento e fé. O povo judeu muitas vezes pegou em pedras para
tentar matar Jesus, pelo fato de muitas vezes ele ter afirmado que era igual a
Deus, ou seja, que ele era O Senhor.
O povo queria um Messias, queria um salvador, mas não queria de modo algum um
Senhor. Nenhuma outra cena nos evangelhos ilustra este fato tão bem como a cena
da crucificação. Os quatro evangelistas registraram a cena. O relato de Lucas,
porém, traz detalhes que merecem uma atenção especial para a nossa
argumentação. Enquanto Mateus e Marcos parecem descrever a atitude dos dois
ladrões que foram crucificados junto com Jesus, no período inicial da
crucificação, informando-nos que eles o insultavam da mesma forma que as
autoridades presentes, Lucas parece descrever a atitude destes outros
condenados num momento mais próximo da hora da morte de Jesus. Os dois
primeiros evangelistas narram que até os ladrões insultavam a Jesus. ali na
cruz. Lucas, o terceiro dos evangelistas, nos informa que: “Um dos
malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo?
Salva-te a ti mesmo e a nós também” (Lc 23.39). Podemos inferir com
razoável grau de certeza, a partir dos relatos de Mateus e Marcos, que estas
palavras foram pronunciadas pelos dois ladrões durante as primeiras horas do
sofrimento de Jesus. E, sabemos, pelo relato de Lucas que Jesus, até aquele
momento não lhes dera resposta. E, porque ele não lhes dera qualquer resposta
até então? Jesus não estava indiferente aos fatos ao seu redor. Na cruz, em meio as dores intensas que sentia, ele diz à sua mãe biológica: Mulher, eis ai o teu filho, indicando-lhe o discípulo amado. Ao discípulo amado, ele diz, indicando-lhe Maria: Filho, eis ai a tua mãe. Mesmo ali, Jesus está demonstrando seu cuidado e intenção de prover um lar onde haveria segurança e amor para aquela que fora o instrumento de Deus para trazê-lo a este mundo. Na cruz, olhando os soldados que o escarneciam, Ele intercede ao Pai, dizendo: Perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. Entretanto, quanto, àqueles dois homens que clamavam por salvação ao seu lado, Jesus os ignorou completamente durante praticamente todo o tempo de sua agonia. Porque? Avaliando a atitude deste ladrão citado por Lucas, três coisas ficam claras: A primeira é que ele
reconhecia que Jesus era o Cristo. O Messias. O enviado de Deus para salvar a
humanidade. A segunda é que ele reconhecia que Jesus poderia descer da cruz e
salvá-lo da morte. A terceira é que, mesmo ali, a poucas horas da morte certa, ele não admitia de modo algum reconhecer que Jesus era o Senhor. Ele queria um salvador. Ele clamava por um salvador. O Salvador
estava ao seu lado e, apesar de ser, de fato, o salvador, Jesus o ignorou completamente. Ele morreu na cruz e foi para o
inferno onde pagará, por sua vida de pecados, por toda a eternidade. Por que ele foi ignorado? Porque Jesus não
salva aqueles que o querem apenas como salvador! O outro ladrão, porém, ao observar a atitude de Jesus, durante as horas de sofrimento na cruz, aos poucos foi percebendo o que de fato estava acontecendo ali. Ele entendeu que não era simplesmente a execução de uma sentença humana, aplicada
pelos soldados romanos. Ele compreendeu que estava ali,
diante dos seus olhos, o próprio filho de Deus, sofrendo uma sentença
determinada pelo próprio Deus, desde a fundação do mundo (Ap
13.8), para pagar pelos pecados daqueles que jamais poderiam pagar por si
mesmos sua dívida eterna (Gl 3.13). É por isso que ao se dirigir a seu companheiro de
infortúnio ele o faz nestes termos: “Nem ao menos temes a Deus, estando sob
igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os
nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez” (Jo 23.40-41). Este malfeitor demonstra com suas palavras
que, em primeiro lugar ele
reconhece que Jesus é Deus, pois diz que Deus está sofrendo uma sentença igual
a deles. Em segundo lugar ele
reconhece sua culpa e a justiça da sua sentença, pois era o que seus atos
mereciam, uma sentença de morte. Em terceiro
lugar fica subentendido que ele percebe que quem aplica a sentença é o
próprio Deus, pois, como o homem poderia condenar e sentenciar aquele que,
embora em forma humana é reconhecido como sendo o próprio Deus. O que estava sendo castigado ali não eram os crimes cometidos contra o império romano, mas os pecados de toda a humanidade, cometidos contra a vontade soberana de Deus. Estava sendo satisfeita ali, não a justiça dos homens, mas a justiça de Deus. Reconhecendo em Jesus, o Senhor da
vida e da morte, ele pode então confiadamente dirigir-se a Jesus, dizendo: “Jesus,
lembra-te de mim quando vieres no teu reino” (Jo 23.42). Este ladrão, com
estas palavras, demonstra ter compreendido algumas das mais importantes verdades
reveladas por Deus. A primeira
delas é que Jesus iria morrer na cruz, mas não permaneceria morto, ele iria
voltar. A segunda destas
verdades, é que ele voltaria “no teu reino” ou seja, Jesus possuía um
reino que seria a realidade final para os bem aventurados que chegassem a ele.
Em terceiro lugar, a entrada
neste reino dependia inteiramente do reconhecimento do senhorio de Jesus. É por
isso que ele humildemente se dirige a Jesus dizendo: “lembra-te de mim,
quando vieres no teu reino”. Eram dois malfeitores, ambos reconheciam que Jesus era o Cristo, ambos reconheciam que ele poderia salvá-los, ambos desejavam
um salvador, ambos queriam que Jesus se tornasse seu salvador. Mas, somente um, percebeu que Jesus não iria
descer da cruz e livrá-lo da dor e da morte física, porque o próprio Jesus estava ali, sofrendo e entregando, voluntariamente, sua
vida de valor infinito, pagando assim a nossa dívida eterna. Ele estava ali
remindo-nos da escravidão ao pecado. Estava ali comprando-nos para si mesmo a
fim de devolver-nos a liberdade, e conceder-nos a verdadeira vida, no reino eterno (Lc 23.43).
Diante destes fatos precisamos nos perguntar. E, para nós, quem é Jesus? Como queremos nos relacionar com Ele. Reconhecemos que Ele é nosso Senhor ou apenas nosso salvador? Como o temos tratado? Quero
terminar esta reflexão contando uma pequena história real que nos foi contada
pelo pastor Carlos Queiroz, no Congresso de Pastores da Igreja Presbiteriana
Independente do Brasil, realizado em setembro último, em Poços de Caldas, MG. Segundo o pastor
Carlos, ele começou a aproximar-se de uma determinada pessoa desejoso de
compartilhar o evangelho de Jesus. Este homem sendo muito católico, se
mostrava bastante arredio. Quanto mais o pastor Carlos se mostrava simpático e
interessado no seu bem estar, mais ele se mostrava desconfiado de suas
intenções. Por fim, em determinado dia, ao cumprimentá-lo o mesmo lhe
disse: - antes de mais nada quero lhe
informar que sou devoto de são benedito (para ser absolutamente verdadeiro não
lembro com certeza se era este o santo). Ao que lhe respondeu o pastor Carlos:
- Que bacana, mas me diga, o senhor é devoto ou seguidor? - O homem então
lhe respondeu: - E tem diferença? - E, ele
lhe disse: ´- É claro que tem; o devoto admira o santo, fala bem do santo, faz
promessas para o santo e em troca deseja receber suas bênçãos. Já o seguidor,
vive como o santo viveu. Por exemplo, se o senhor fosse devoto de São Francisco
o senhor o admiraria, falaria bem dele, lhe faria promessas e esperaria ser
abençoado por ele, mas, se fosse seu seguidor, o senhor não teria este comércio,
o senhor o venderia, distribuiria seus bens aos pobres e viveria como São
Francisco viveu, pregando o evangelho e
cuidando dos pobres. Naquela noite, quando foi orar, o pastor Carlos, surpreendeu-se
ao ouvir a voz suave e amorosa do Espírito Santo dizendo-lhe: - E você, meu
filho, é meu devoto ou meu seguidor?
Neste momento precisamos examinar nossos corações com honestidade. Precisamos nos perguntar: O que temos desejado que Jesus seja para nós? O Senhor, ou apenas o
Salvador? Se o queremos apenas como salvador, então, somos apenas devotos que o
admiram, falam bem dele e esperam ser abençoados em troca. Neste caso, a
solução para nós é a mesma oferecida por Pedro aos que o ouviam: Arrependam-se! Se esta for a nossa situação precisamos urgentemente de arrependimento, pois, se
não nos arrependermos de querer Jesus com uma intenção meramente utilitarista, nos colocamos no mesmo nível daquele malfeitor que reconhecia que Jesus era o
Cristo, que Ele poderia salvá-los, mas que, apesar disso, acabou indo para o inferno. Mas, se
reconhecemos que Ele é nosso Senhor, então temos ordens a seguir, uma missão a
cumprir (Mt 28.18-20) e precisamos entender que, acima de qualquer outro, Jesus Cristo sendo o Senhor, tem o
direito de determinar e controlar a agenda de nossas vidas.
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