quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Só quem ama a Palavra de Deus, ama o Deus da Palavra - Ap 1.3

Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo”.
 Ap 1.3

Vários anos após a sua ascensão aos céus, Jesus Cristo aparece ao apóstolo João, à época (c. 98 DC), desterrado na ilha de Patmos, com uma aparência que, no primeiro momento deixa o apóstolo atônito e aterrorizado, a ponto de cair no chão como se estivesse morto (Ap 1.9-20). Após identificar-se, o Senhor lhe ordena que escreva tudo o que ele iria lhe mostrar. E o apóstolo inicia este registro com a surpreendente bem-aventurança mencionada logo no início dessa profecia. Jesus afirma que são bem-aventurados aqueles que leem e os que ouvem as palavras da profecia. Este registro demonstra a misericórdia do Senhor e a sua preocupação para com todos os seus eleitos. A maioria das pessoas da época de João e nos muitos séculos que se seguiram não sabia ler, esta maioria esmagadora poderia apenas ouvir a Palavra, quando fosse pregada por aqueles que a ela tivessem acesso. Muitos milhões de seres humanos, ainda hoje, tem nascido, vivido e morrido sem jamais terem tido a chance de ter qualquer contato com a Palavra de Deus. Vidas preciosas que tem perecido por nada saberem acerca da salvação oferecida por Jesus Cristo.

Durante milhares de anos os cristãos ansiaram por ter acesso a Palavra do Senhor. Este anseio cumpre de certa forma uma promessa divina registrada pelo profeta Amós (Am 8.11). E isso porque até a invenção da imprensa por Gutemberg, cada exemplar da Bíblia Sagrada era copiado a mão, o que fazia que uma única Bíblia custasse uma quantia que as pessoas comuns simplesmente não poderiam pagar. Esta realidade fazia com que as pessoas suspirassem de alegria quando tinham a oportunidade de ouvir a leitura e a pregação da Palavra de Deus. O exemplo de Mary Jones é muito ilustrativo. “Mary Jones viveu a mais de 200 anos no País de Gales, Reino Unido. De família muito pobre, morava com os pais numa pequena propriedade rural. Com apena 9 anos de idade, quando foi alfabetizada, Mary estabeleceu uma meta para si mesma: ter uma Bíblia que fosse sua e estivesse na sua língua – o galês – para ler quando quisesse. Nessa época, ter uma Bíblia era um verdadeiro desafio. Os livros eram muito caros e raros. Apesar das dificuldades, Mary Jones não desistiu: durante seis anos trabalhou duro para reunir a quantia necessária. Aos 15 anos, juntou o suficiente para comprar a Bíblia que tanto queria. Porém, mais um obstáculo se colocou à sua frente: 40 quilômetros que teriam que ser percorridos a pé até a cidade mais próxima, onde poderia adquirir o seu exemplar. Foi uma jornada solitária, exaustiva e arriscada, mas bem-sucedida. Sua fome e sua sede pela Palavra de Deus finalmente seriam saciadas”. (http://www.sbb.com.br/detalhes.asp?idproduto=1116466).

Hoje a situação mudou. Não temos mais dificuldade em conseguir uma Bíblia. A maioria das pessoas pode ter e muitas possuem mais de um exemplar das Escrituras Sagradas em suas casas. Infelizmente, porém, o que a maioria das pessoas não tem é o desejo que queimava o coração de Mary Jones. O desejo de conhecer a intimidade do Deus que se revela através das páginas sagradas.

Algum tempo atrás tomei conhecimento do resultado de uma pesquisa que afirmava que mais da metade de um grupo de pastores entrevistados afirmara jamais ter lido a Bíblia completa nem uma única vez na vida. Alegavam como justificativa a falta de tempo. Ora, se os líderes estão neste estado, como não estarão os liderados?

Uma das razões para esta situação calamitosa que assola a cristandade talvez seja aquilo que certamente é uma das maiores bênçãos dos tempos modernos: a facilidade que temos de adquirir um exemplar da Palavra de Deus. Uma Bíblia comum, bem encadernada, custa hoje em dia bem menos que um livro de ficção ou um romance. Pouco tempo atrás, perguntei a um grupo de jovens cristãos quantos já tinham lido os livros de uma série de ficção bem conhecida – Crepúsculo – cujos personagens são vampiros. Todos os jovens haviam lido todos os livros da série, mas, nenhum deles afirmou já ter lido a Bíblia inteira uma única vez.

Queridos, quero afirmar sem nenhum medo de errar: aqueles que alegam não ter tempo para a Palavra de Deus estão afirmando que não tem tempo para o Deus da Palavra, pois é Ele que se revela a nós nas páginas sagradas. Precisamos reaprender a suspirar pelo desejo de ouvir a Deus, através da leitura e estudo da sua Palavra. O salmista exclamava: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação todo o dia” (Sl 119.97). Precisamos aprender com o salmista de Israel a ter este sentimento pela Palavra do Senhor. Precisamos reaprender a amar a Bíblia Sagrada, pois, sem ela, jamais poderemos conhecer a Deus de verdade.

É por isso que a igreja precisa voltar-se para a Palavra de Deus. Precisamos ler, estudar, memorizar. Precisamos ouvi-la e dar-lhe crédito, porque na Escritura Sagrada encontramos a verdade acerca de Deus, acerca do homem e acerca do seu destino eterno.

Muitas razões poderiam ser citadas pelas quais devemos ter um apreço todo especial pelo estudo da Palavra de Deus. Vou citar apenas algumas: Em primeiro lugar, a Palavra de Deus como a conhecemos hoje em dia, é o registro, por escrito, da Palavra divina que foi verbalizada na história do povo escolhido de Deus. Nela, encontram-se registradas todas as manifestações de Deus para promover a salvação do ser humano. Nela encontramos o registro da ação de Deus através de Jesus Cristo, a Palavra que se fez carne e habitou entre nós.

Quando o apóstolo João inicia o seu evangelho, ele diz que: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. E a Palavra se tornou carne e habitou entre nós...” (Jo 1.1,14). Ao escrever estas palavras o apóstolo João está nos dizendo que Jesus e a sua Palavra são inseparáveis. Não significa que a tinta com que as palavras da Bíblia são escritas sejam sagradas, mas quer dizer que a Palavra pronunciada por Deus, tem uma tal identificação com Ele, que carrega consigo a autoridade do próprio Deus. Ou seja, Jesus e sua Palavra são um. Não é possível desprezar a palavra de Deus sem desprezar o próprio Deus. Não é possível esquecer de um a semana inteira sobre uma estante, sem esquecer igualmente, o Outro. Por mais que neguemos tal esquecimento com nossos lábios, não podemos enganar nossos próprios corações (1 Jo 3.20).

Uma segunda razão pela qual devemos nos voltar para as Escrituras Sagradas é que elas nos revelam o caminho a seguir. O caminho estreito e seguro por onde devemos nos conduzir. É por isso que o salmista exclama: “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra e luz para o meu caminho” (Sl 119.105). Precisamos entender e crer que por mais belo que este mundo tenha sido criado por Deus, ele hoje está envolto em densas trevas espirituais (1 Jo 5.19b). Está sob o poder do maligno e, por isso, muito daquilo que brilha neste mundo nada mais é que o brilho fugaz e enganoso das ciladas com que o diabo atrai a humanidade incrédula para o seu caminho de perdição. Quando o salmista Davi canta os louvores de Deus dizendo que o Senhor: “Leva-me para junto das águas de descanso” (Sl 23.2b). Ele está nos dizendo algo maravilhoso que havia aprendido, na prática diária, no tempo em que trabalhara como pastor de ovelhas. Deixe-me explicar. Na Palestina onde Davi vivia a sua experiência como pastor de ovelhas a região é desértica. É uma região sem água. Para levar as ovelhas para junto das águas onde elas poderiam pastar e beber, era necessário levantar de madrugada e caminhar a frente do rebanho, longas horas na escuridão, para não sofrer e não sacrificar as ovelhas e seus filhotes sob sol escaldante. A tarde, após as ovelhas comerem e beberem era hora de voltar, antes que a noite os envolvesse completamente e o frio fizesse sofrer as ovelhas. Era uma rotina diária em que o pastor guiava suas ovelhas em segurança através da escuridão da madrugada, antes do sol se levantar em todo os seu fulgor, e ao entardecer, antes que o frio da noite viesse oprimir as ovelhas ao relento. É deste cuidado diário que o autor do salmo 119.105 nos fala, porém, deixando claro que o Senhor iluminava seu caminho em meio às trevas deste mundo, através do ensino de sua Palavra. É através da luz que a Palavra de Deus irradia que podemos prosseguir com segurança em nossa própria jornada. Através da orientação segura da Palavra de Deus, Jesus Cristo, o sol da justiça (Ml 4.2), nos faz caminhar em terreno firme e seguro rumo a nossa pátria celestial.

Em terceiro lugar, a Palavra de Deus nos diz quem somos, quem Deus é, e como devemos nos relacionar com Ele. Milhares de seres humanos tem lotado templos religiosos e recitado promessas vãs, acreditando, inutilmente, que sua prática religiosa lhes permitirá viver uma vida rica e despreocupada neste mundo, e que, ao final da vida terrena, os levará ao paraíso. Quando digo inutilmente, estou me referindo às palavras de Jesus acerca daqueles que dizem a seu respeito: Senhor, Senhor (Mt 7.21-23), mas não se preocupam em se relacionar com ele, o Senhor, da forma correta. Não são os que dizem que ele é Senhor os que entram no reino, mas os que o obedecem reconhecendo que ele é, de fato, O Senhor. Essas pessoas a quem Jesus se refere nesta passagem são aquelas que se aproximam dele com intenção meramente utilitarista. Chegam-se a Deus desejando saúde, riquezas, status ou poder político. E, para conseguir isso apegam-se a todo tipo de crendices sem qualquer respaldo na revelação que Deus, de uma vez por todas, entregou aos homens (Jd 1.3). E isto, porque os pregadores do evangelho da prosperidade estão colocando, nos lábios de Jesus, uma promessa que ele nunca fez: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4.9). Esta é uma promessa bíblica, encontra-se registrada nos evangelhos (Mt 4.9 e Lc 4.6-7), mas não foi feita por Jesus, e sim, pelo diabo. É o diabo que se dispõe a negociar e a pagar em troca de adoração. Jesus Cristo jamais o fez e jamais o fará. E aqueles que lotam templos religiosos acreditando em promessas de que vão receber riquezas, poder, vitórias e glórias neste mundo em troca de ofertas financeiras e cantigas de uma suposta "adoração", não estão servindo a Jesus Cristo de Nazaré, pois, este, assumiu a forma de servo e foi obediente até a morte (Fp 2). E, Ele espera que seus discípulos sigam seu exemplo.

Para seguir o exemplo de Jesus precisamos conhecê-lo. Para conhecê-lo, precisamos conhecer sua Palavra, através da qual Ele se auto revelou. Nosso destino eterno depende disso. Jesus disse em certa ocasião: “Muitos me dirão naquele dia, em teu nome profetizamos, e em teu nome expulsamos demônios, e em teu nome fizemos muitos milagres. E ele lhes responderá: Nunca vos conheci” (Mt 7.22-24). Jesus está nos dizendo que nunca conheceu estas pessoas que em seu nome profetizaram, em seu nome expulsaram demônios e em seu nome fizeram muitos milagres. Como é possível? Como pôde uma coisa dessas acontecer? Simples. Estas pessoas de fato jamais chegaram a conhecê-lo. Elas usaram seu nome, que está colocado por Deus acima de todos os nomes, e expulsaram demônios, usaram seu nome e fizeram milagres, usaram seu nome e profetizaram, usaram seu nome! Usaram seu nome! E usaram seu nome! Mas jamais o serviram! Serviram-se de Jesus! Jamais serviram a Jesus! Usaram o seu nome, mas o deus a quem serviram de fato, era um ídolo que eles mesmos construíram em suas imaginações, e que correspondia à imagem e semelhança de suas ambições mundanas. Desprezaram a luz da Palavra, que lhes revelaria o verdadeiro Deus, e agora, rejeitados por Jesus Cristo, passarão a eternidade em trevas.

Diante desses fatos, cabe perguntar: E nós, como temos nos relacionado com a Palavra de Deus? Nós a temos amado? Nós a temos lido e estudado regularmente? Temos aprendido a conhecer e a nos relacionar corretamente com o Deus que se revelou e continua a se revelar através dela? Quem é Jesus para nós, hoje? Aquele que é a Palavra que se fez carne (Jo 1.14), tornou-se servo (Fp 2.7), humilhou-se até a morte e morte de cruz (Fp 2.8), ressuscitou dentre os mortos e oferece a salvação àqueles que se arrependem de seus pecados e o reconhecem como Senhor de suas vidas (Rm 10.9), sem nada oferecer em troca além de aflições neste mundo (Jo 16.33), sua presença confortadora (Mt 28.20), seu poder para testemunhar (At 1.8) e um reino eterno? Ou, este que, sem qualquer compromisso com a Palavra de Deus, tem sido apresentado nos meios de comunicação de massa, como disposto a enriquecer e curar milhões de pessoas em troca de cantigas e dinheiro?

No momento em que você se levantar destes bancos, após o final desta celebração, você estará dando seus primeiros passos em direção ao final da sua jornada, rumo ao seu destino eterno. Você pode escolher continuar sua caminhada, em meio às trevas deste mundo sem nenhuma luz, e seguir tranquilamente o seu caminho, ignorando às ciladas que o esperam à sua frente, ou pode escolher fazer como os cidadãos de Beréia, que todos os dias: “examinavam as Escrituras para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17.11).

Quero desafiar você a tomar a decisão de se enamorar de novo pelas Escrituras Sagradas. Quero desafiá-lo a deixar Deus avivar em seu coração um amor verdadeiro pela Bíblia Sagrada, pois, quem não ama a Palavra de Deus, também não ama o Deus da Palavra. Com isto, quero dizer que estou desafiando você a começar a ler a Bíblia Sagrada regularmente. Comece hoje, leia um salmo ou dois, escolha um dos evangelhos e comece a sua jornada através desta bem-aventurança, pois, como disse Jesus: “... o tempo está próximo” (Ap 1.3).

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