quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Amai os vossos inimigos.

 “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo, Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”.
Mt 5.43-48

Jesus, pela sexta vez consecutiva, dirige-se aos seus ouvintes dizendo: “Ouvistes o que foi dito aos antigos”; e, como das vezes anteriores, ele corrige o ensino errados dos escribas e fariseus. Ocorre que estes interpretavam a ordem dada a nação de Israel em Lv 19.18, de maneira extremamente estreita, ensinando que o próximo era apenas o vizinho ou parente judeu, e considerando todos os estrangeiros como inimigos, que poderiam e deveriam ser odiados. O ensino dos escribas e fariseus neste ponto era tão radical que chegava mesmo a considerar como um dever religioso o ódio aos estrangeiros e aos inimigos. Ocorre, porém, que de acordo com o Senhor, o próximo seria qualquer pessoa que estivesse necessitada e ao alcance do nosso socorro (Lc 10.29-37), e que isto deveria se estender inclusive aos nossos inimigos. Ao ensinar os seus discípulos acerca do amor aos inimigos, Jesus deixa claro alguns princípios importantes que não podem deixar de ser observados pela igreja. O primeiro destes princípios é que aqueles que amam aos que os amam não estão fazendo qualquer coisa de mais. Não existe qualquer mérito em amar aquelas pessoas que nos amam. Amar apenas aqueles que nos amam faz com que nos contentemos em estar nivelados àqueles que são desonestos ou corruptos. É isto que Jesus afirma ao comparar os que amam apenas os que os amam aos publicanos. Todos conheciam a fama de desonestos e corruptos dos coletores de impostos. A maioria deles cobravam muito mais do que deviam, e por isso eram odiados por toda a nação. Por este motivo ele pergunta: “Se amardes os que os amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?” A resposta lógica à pergunta de Jesus é que assim como um publicano desonesto não merece nenhuma recompensa por amar aqueles que o amam, também nós não merecemos nenhuma recompensa especial por amar aqueles que nos amam. E, por que, perguntaríamos, não merecemos recompensa por amar os que nos amam? Pelo simples fato que amar aos que nos amam não envolve conversão, nem fé, nem obediência a Deus. A maior prova deste argumento é que os desonestos publicanos tem a capacidade de amar aqueles que os amam. Eles amam seus familiares e seus amigos publicanos. Igualmente todos os homicidas tem a capacidade de amar aqueles que os amam. Os ladrões, os políticos corruptos e os estupradores também tem a capacidade de amar aqueles que os amam. Se nos dispusermos a amar, apenas aqueles que nos amam, nos colocamos em igualdade de condições com estas pessoas, que não receberão nenhuma recompensa por amar os que os amam, porque este tipo de amor é de natureza carnal, terrena e animal, e pertence aquela espécie de atributo com que todos foram dotados pela criação natural, apesar de sua natureza humana estar degenerada pelo pecado. Tal amor não envolve fé. Não envolve obediência a Deus. Para amar apenas aqueles que nos amam, não precisamos do poder do Espírito Santo, não precisamos nascer de novo, não precisamos ser novas criaturas, não precisamos ser crentes.

Jesus avança em seu argumento ensinando que o amor se manifesta em atos. Ele pergunta: “E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?” Aqui o Senhor deixa claro que os atos de amor dos seus discípulos precisam ser estendidos também aos que não fazem parte do povo de Deus. A saudação é um dos mais básicos e simples atos de amor que alguém pode realizar. Deixar de saudar alguém é algo tão grosseiro que mesmo os mais ferrenhos adversários costumam saudar-se quando se encontram em público, a vista de outras pessoas. Devemos entender aqui, que o ato de saudar alguém é apenas uma ilustração simples, que o Senhor utiliza de modo genérico. O que devemos aprender com esta passagem é que nossos atos de amor não podem ficar restritos aos que são nossos irmãos, mas devem ser igualmente realizados em benefício de todos os necessitados, independente de quem sejam. É por isso que Jesus compara aqueles que saúdam apenas a seus irmãos aos gentios. Os gentios, aqueles que não faziam parte do povo de Deus, também se saudavam mutuamente. E, novamente, a mesma lógica se impõe: fazer o bem apenas aos que são nossos irmãos ou amigos é um instinto natural, não depende de fé, de conversão e muito menos é um ato de obediência a Deus. A prova disto é que, os gentios que não conhecem a Deus, o fazem regularmente, desde o princípio do mundo.

Os escribas e fariseus, com seu ensino equivocado acerca de quem era o próximo dos judeus, haviam tornado praticamente impossível à nação de Israel, a obediência daquele que Jesus afirmou ser o segundo maior de todos os mandamentos (cf. Mc 12.31,33 e Lv 19.18b). O povo judeu, enquanto nação teocrática, simplesmente falhou na sua missão de revelar a glória de Deus às outras nações. Quando estrangeiros peregrinavam em Israel, ou entravam em contato com o povo de Israel, em vez de serem impactados pela manifestação do amor de Deus, tudo o que viam e percebiam neste povo, era o ódio a tudo e a todos que não fossem de origem judaica. O povo de Israel não percebia, ou não aceitava, que a bênção de Abraão, da qual tanto se gloriavam, era uma bênção que incluía todas as nações da terra (Gn 12.1-3).

Neste instante é necessário que façamos uma pausa em nossa análise das palavras de Jesus para fazermos uma reflexão acerca da atuação da igreja. O povo de Israel falhou por não aceitar o mandamento de amar aqueles que eles definiam como seus inimigos: Os estrangeiros. Aqueles que não pertenciam a etnia judaica. E a igreja, tem amado aqueles que não fazem parte do seu rol de membros? Ou tem reservado seu “amor” apenas àqueles que são membros? Ou pior, do que isso, a igreja tem amado àqueles que não a amam? Ou somente tem amado àqueles que a amam? Muitas vezes tenho ouvido justificativas para a falta de ação da igreja em favor dos que não fazem parte do seu rol de membros, como se eles não tivessem nada a receber da igreja. Ou, então, como se as pessoas para serem amadas e cuidadas pela igreja, tivessem primeiro que se tornar membros da comunidade eclesiástica, para depois serem amadas. Quantas vezes já ouvi a famosa desculpa: Fulano quer a bênção, mas não quer o dono da bênção, e, é por isso que não podemos fazer nada por ele. Israel perdeu sua oportunidade como nação teocrática por não assumir sua responsabilidade de ser canal das bênçãos de Deus às nações ao seu redor, e, hoje, com tristeza, vemos que muitas igrejas locais vivem apenas para si mesmas, e por isso estão perdendo a oportunidade de manifestar o amor e o poder de Deus, àqueles que estão ao seu redor. Muitas destas comunidades locais estão definhando e muitas já morreram. Inúmeros templos estão a venda, em várias partes do mundo, pelo fato que as comunidades que ali se reuniam morreram, e ninguém mais frequenta aqueles templos, então as denominações a que pertencem os colocam a venda, e muitos destes templos tem se transformado em boates, lojas de departamentos e até mesquitas muçulmanas. Como teria sido diferente a história destas comunidades, se seus membros tivessem entendido que amar aqueles que estavam do lado de fora era a essência de sua missão. E, quanto a nós, temos compreendido que precisamos amar os nossos inimigos? Já chegamos a compreender a diferença entre um irmão e um inimigo? Esta pergunta é importante porque percebemos facilmente, no dia a dia, que existem pessoas que não conseguem amar nem mesmo aos seus irmãos na fé. E, pior do que isso, existem pessoas que parecem não amar nem mesmo aqueles que são seus amigos devotados. E como vemos isso? Todas as vezes que um alguém é desleal para com o próximo está manifestando a falta do amor que é exigido por Jesus.

Neste ponto precisamos perguntar: Como podemos amar os nossos inimigos? A ordem de Jesus é clara: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Precisamos reconhecer que a natureza humana destituída da graça de Deus é totalmente incapaz de obedecer a esta ordem divina. Graças a Deus, porém, que em Cristo, temos toda a graça necessária para obedecermos. O próprio Jesus nos garantiu isto (At 1.8). Isto é um privilégio que gera uma grande responsabilidade. Não temos quaisquer desculpas com que possamos nos escusar de obedecer a esta ordem. E se desobedecermos a esta ordem, isto significa que, desobedeceremos ao segundo maior de todos os mandamentos, e se desobedecermos ao segundo, isto implica no fato de desobedecermos também ao primeiro de todos os mandamentos pois, como diz o apóstolo João: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 Jo 4.20), e o apóstolo Paulo chega mais longe ao dizer que: “… toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5.14). Pode parecer surpreendente que o apóstolo Paulo resuma toda a lei com a citação de Lv 19.18b, que Jesus afirmou ser o segundo maior de todos os mandamentos da lei, e não com a citação do primeiro e maior de todos os mandamentos, que é amar a Deus acima de todas as coisas (Mc 12.30). Mas o que parece uma contradição, quando analisado mais atentamente, logo se torna compreensível, a luz do ensino do apóstolo João, no verso citado acima. O amor ao próximo é a única evidência verdadeira do amor a Deus. Só aqueles que verdadeiramente amam ao próximo, realmente, amam a Deus. Aqueles que afirmam amar a Deus, mas não demonstram amor ao próximo estão mentindo, enganando a si mesmos. Então, precisamos avaliar os nossos corações com sinceridade. Estamos amando os nossos inimigos? Se não estamos, por que não? Normalmente a resposta a esta última pergunta é uma só. O egoísmo, cultivado como uma virtude, dentro de nós. Para amarmos os nossos inimigos temos que vencer a tentação de nos justificar a partir das nossas emoções. Nos sentimos atacados, intimidados ou ofendidos, e, a partir disso, julgamos que podemos nos justificar por não amar os nossos inimigos. A verdade, porém, é que não podemos. Deus não aceita nenhuma de nossas desculpas. Sua ordem é clara: “Amai os vossos inimigos”.

Para conseguirmos amar aos nossos inimigos precisamos compreender que nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra forças espirituais poderosas (Ef 6.12), das quais nossos inimigos são apenas vítimas. Precisamos vê-los como pessoas que, ainda que inconscientes do fato, estão sob a influência dos espíritos malignos, e que suas eventuais ações contra nós são instigadas por eles (1 Jo 5.19). Estas pessoas não tem esperança de salvação. Estão afastadas de Deus e dependem de nós para que venham a ser libertas, possam conhecer a Cristo e receber a salvação através da fé em Jesus (Rm 6.23). Só quando deixamos de nos ver como intocáveis, quando aceitarmos que não somos o centro do universo, e que não merecemos nenhum tratamento especial, poderemos ver tais pessoas pelo prisma através do qual o Senhor Jesus as vê: Seres humanos necessitados da graça de Deus.

Neste ponto é importante observar que amar não significa gostar. É perfeitamente lícito não gostar daqueles que não gostam de nós. E logicamente não precisamos gostar dos nossos inimigos. Em que, portanto, consiste o amor aos nossos inimigos? O apóstolo Paulo nos ajuda a compreender isto quando orienta a igreja romana acerca da necessidade de amar, ele diz: “… se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.20-21). Esta orientação nos esclarece acerca do significado do amor aos inimigos. Amar aos inimigos não é diferente de amar aos amigos. Amar significa fazer o bem. Se temos um irmão com fome naturalmente somos inclinados a socorrê-lo dando-lhe de comer. Se vemos um filho com sede, por amor, naturalmente somos inclinados a dar-lhe de beber. Amar aos inimigos é fazer exatamente a mesma coisa, mesmo que no caso destes, não esteja presente o ato de gostar.

A segunda ordem de Jesus tem a ver com a necessidade espiritual dos nossos inimigos. Ele ordena: “orai pelos que vos perseguem”. A oração é a única arma espiritual que podemos utilizar na batalha contra as forças espirituais que dominam aqueles que nos atacam. É inútil lutar no plano físico se no plano espiritual estivermos indolentes. As batalhas terrenas são vencidas ou perdidas no plano espiritual. Se orarmos pelos que nos perseguem, se pedirmos com insistência ao Senhor da igreja que os liberte das garras dos nossos verdadeiros inimigos espirituais, estaremos nos tornando verdadeiros filhos de Deus.

Aqui parece haver uma contradição no ensino de Jesus. Ele nos diz: “para que vos torneis filhos de vosso Pai celeste”. Poderíamos perguntar: Já não nos tornamos filhos de Deus quando cremos? O apóstolo João não ensinou que: “… a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12). Queridos, quero dizer que a contradição é apenas aparente. É verdade que, quando cremos, nos tornamos filhos de Deus. Isto do ponto de vista legal. Ao crermos em Jesus, e reconhecê-lo como Senhor de nossas vidas, fomos legalmente justificados diante de Deus (Rm 5.1; Rm 8.1). A partir deste momento somos legalmente seus filhos. Mas após a conversão, em um primeiro momento, continuamos a ser pecadores totalmente a merce do poder do pecado que habita em nós. A justificação é a primeira fase da obra do Espírito Santo em nós. Ele nos convenceu do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), e quando nos arrependemos, e depositamos fé em Jesus como Senhor de nossas vidas, fomos salvos. Fomos libertos da culpa do pecado. Neste momento nos tornamos, legalmente, filhos de Deus. A obra do Espírito Santo em nós, porém, não termina com a justificação. Imediatamente, após a nossa justificação, Ele inicia a obra da santificação, que é a obra através da qual o Senhor Jesus vai, pouco a pouco, nos libertando do poder do pecado. Santificar-se nada mais é do que obedecer a vontade de Deus, ou seja, obedecer aos seus mandamentos. É por esta razão que Jesus não nega que já somos filhos de Deus, pelo contrário, ele diz que o objetivo é nos tornar filhos de nosso Pai celeste. Observe que o Pai celeste já é nosso. Apesar disto devemos obedecer a ordem de amar aos nossos inimigos o orar pelos que nos perseguem para que nos tornemos filhos de nosso Pai celeste. Como assim? Simples. Já somos filhos de Deus do ponto de vista judicial. Agora devemos nos tornar filhos de Deus do ponto de vista moral. A palavra grega (ginomai), aqui traduzida como “vos torneis” significa, vir a existência, começar a ser, receber a vida, erguer-se, aparecer na história, aparecer no cenário. Ou seja, aquilo que é real do ponto de vista legal, agora deve começar a ser real do ponto de vista moral, precisa vir a existência, precisa aparecer na história, precisa se tornar visível no cenário da existência humana. Os filhos devem refletir o caráter do Pai. É por isso que o Senhor Jesus nos dá o exemplo da ação do Pai como padrão a ser seguido: “… Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”. Deus, o Pai, apesar de não ser amado por muitas pessoas, e até mesmo, apesar de ser odiado por tantos outros, abençoa tanto os que o amam como aqueles que não o amam. Ele quer e espera que seu exemplo seja seguido por nós. É a este, tornar-se filhos de nosso Pai celeste, que o apóstolo Paulo se refere quando diz aos irmãos de Filipos: “... desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12c). Se a primeira parte da obra que o Espírito Santo realiza em nós foi efetivamente realizada, certamente ele realizará a segunda parte também (Fp 1.6). Isto significa que todos os verdadeiros crentes estão ou serão capacitados a amar os seus inimigos e orar pelos que os perseguem. Se falharmos nestes deveres e não nos sentirmos em falta diante de Deus, isto é sinal de que alguma coisa está errada com nossa profissão de fé.

Jesus termina esta passagem dizendo: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”. Aqui precisamos perguntar: Que perfeição é esta que Jesus exige de nós? Certamente não é a perfeição moral, nem espiritual, pois, neste caso nenhum de nós jamais conseguiria obedecê-lo. O apóstolo Paulo mesmo lutava contra suas imperfeições e nos deixou seu testemunho a respeito (Rm 7.15-20). A palavra teleios, aqui traduzida como perfeitos tem o sentido de algo que é levado ao seu fim, finalizado, que não carece de nada necessário para estar completo. Ou seja, durante esta vida, perfeito, diante de Deus é aquele que cumpre o propósito para o qual foi criado. Ou seja, nos tornamos perfeitos quando nós imitamos a Deus (Ef 5.1-2), e vivemos segundo os propósitos para os quais fomos salvos. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.


Quero finalizar esta mensagem lembrando que, se, por um lado o apóstolo Paulo diz que todo o conteúdo da lei se cumpre no ato de amar ao próximo como a si mesmo (Gl 5.14), o Senhor Jesus nos informa que seremos julgados, não pelo cumprimento do primeiro e maior dos mandamentos, mas, pelo cumprimento ou não, do segundo (Mt 25.31-46). O amor ao próximo se manifesta em ações que demonstram o cuidado de Deus pelo ser humano em suas necessidades diárias, e Jesus nos ensina que próximo é qualquer pessoa que esteja necessitada ao nosso redor, mesmo que este seja um inimigo (Lc 10.29-37). Por isso não há qualquer desculpa para deixarmos de amar quem quer que seja. Amor é um substantivo, porém, amar é verbo, ação. Os critérios que Jesus estabelece para julgar a fé dos que se dizem cristãos, com vistas a admissão no reino eterno, são tão simples que ninguém poderá alegar falta de condições para cumpri-los. Um prato de comida para alguém faminto; um copo de água para um sedento; uma muda de roupa para alguém que esteja nu; uma visita para um enfermo ou preso; uma atitude de hospitalidade para com um estrangeiro. Aqui precisamos dar uma palavra de esclarecimento. Jesus não está dizendo que se alguém realizar cada uma destas ações algumas vezes ao longo da vida estará salvo. Ele está dizendo que o estilo de vida dos que serão salvos, se caracterizou pelo socorro aos necessitados deste mundo, bem como que, o estilo de vida dos não salvos, se caracterizou pela indiferença a dor e aos sofrimentos dos mesmos necessitados. Ou seja, que o estilo de vida dos salvos se caracterizou pela obediência visível ao segundo grande mandamento, sendo evidência de uma fé genuína. Quero finalizar com algumas perguntas: Quando o dia do grande julgamento chegar, de que lado você acha que estará? Do lado direito ou do lado esquerdo? Com base em que você tem esta opinião? Você já reparou que, na lista de Jesus, não há nada daquilo que fazemos quando estamos reunidos para celebrar a Deus? Não há nesta lista nada que nós fazemos normalmente dentro do templo? Você percebeu que Jesus não diz que alguém poderá ser salvo por cantar louvores? Ou por frequentar os cultos? Ou por ter feito profissão de fé? Ou por pregar mensagens? Caso alguma destas perguntas o tenha deixado preocupado, o que você pode fazer a partir de hoje, para ter a certeza de que estará do lado direito de Jesus? Queridos, a pior de todas as atitudes que poderíamos ter, é ignorar a voz do Senhor. Temos o dever de amar os nossos inimigos porque eles são tão próximos quanto quaisquer outras pessoas de nossas relações pessoais. Se tivermos dificuldades para obedecer a estas ordens, nos humilhemos diante de Deus, confessemos nossas fraquezas e busquemos no Senhor a força necessária para obedecermos. Que Deus nos abençoe, e nos capacite a viver de tal forma que nossas vidas o glorifiquem de fato. Amém.

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