“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu
inimigo, Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos
que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste,
porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre
justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa
tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes
somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios
também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o
vosso Pai celeste”.
Mt 5.43-48
Jesus,
pela sexta vez consecutiva, dirige-se aos seus ouvintes dizendo:
“Ouvistes o que foi dito aos antigos”; e, como das vezes
anteriores, ele corrige o ensino errados dos escribas e fariseus.
Ocorre que estes interpretavam a ordem dada a nação de Israel em Lv
19.18, de maneira extremamente estreita, ensinando que o próximo
era apenas o vizinho ou parente judeu, e considerando todos os
estrangeiros como inimigos, que poderiam e deveriam ser odiados. O
ensino dos escribas e fariseus neste ponto era tão radical que
chegava mesmo a considerar como um dever religioso o ódio aos
estrangeiros e aos inimigos. Ocorre, porém, que de acordo com o
Senhor, o próximo seria qualquer pessoa que estivesse necessitada e
ao alcance do nosso socorro (Lc 10.29-37), e que isto deveria se
estender inclusive aos nossos inimigos. Ao ensinar os seus discípulos
acerca do amor aos inimigos, Jesus deixa claro alguns princípios
importantes que não podem deixar de ser observados pela igreja. O
primeiro destes princípios é que aqueles que amam aos que os amam
não estão fazendo qualquer coisa de mais. Não existe
qualquer mérito em amar aquelas pessoas que nos amam. Amar apenas
aqueles que nos amam faz com que nos contentemos em estar nivelados
àqueles que são desonestos ou corruptos. É isto que Jesus afirma
ao comparar os que amam apenas os que os amam aos publicanos. Todos
conheciam a fama de desonestos e corruptos dos coletores de impostos.
A maioria deles cobravam muito mais do que deviam, e por isso eram
odiados por toda a nação. Por este motivo ele pergunta: “Se
amardes os que os amam, que recompensa tendes? Não fazem os
publicanos também o mesmo?” A resposta lógica à
pergunta de Jesus é que assim como um publicano desonesto não
merece nenhuma recompensa por amar aqueles que o amam, também nós
não merecemos nenhuma recompensa especial por amar aqueles que nos
amam. E, por que, perguntaríamos, não merecemos recompensa por amar
os que nos amam? Pelo simples fato que amar aos que nos amam não
envolve conversão, nem fé, nem obediência a Deus. A maior prova
deste argumento é que os desonestos publicanos tem a capacidade de
amar aqueles que os amam. Eles amam seus familiares e seus amigos
publicanos. Igualmente todos os homicidas tem a capacidade de amar
aqueles que os amam. Os ladrões, os políticos corruptos e os
estupradores também tem a capacidade de amar aqueles que os amam. Se
nos dispusermos a amar, apenas aqueles que nos amam, nos colocamos em
igualdade de condições com estas pessoas, que não receberão
nenhuma recompensa por amar os que os amam, porque este tipo de amor
é de natureza carnal, terrena e animal, e pertence aquela espécie
de atributo com que todos foram dotados pela criação natural,
apesar de sua natureza humana estar degenerada pelo pecado. Tal amor
não envolve fé. Não envolve obediência a Deus. Para amar apenas
aqueles que nos amam, não precisamos do poder do Espírito Santo,
não precisamos nascer de novo, não precisamos ser novas criaturas,
não precisamos ser crentes.
Jesus
avança em seu argumento ensinando que o amor se manifesta em atos.
Ele pergunta: “E, se saudardes somente os
vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o
mesmo?” Aqui o Senhor deixa
claro que os atos de amor dos seus discípulos precisam ser
estendidos também aos que não fazem parte do povo de Deus. A
saudação é um dos mais básicos e simples atos de amor que alguém
pode realizar. Deixar de saudar alguém é algo tão grosseiro que
mesmo os mais ferrenhos adversários costumam saudar-se quando se
encontram em público, a vista de outras pessoas. Devemos entender
aqui, que o ato de saudar alguém é apenas uma ilustração simples,
que o Senhor utiliza de modo genérico. O que devemos aprender com
esta passagem é que nossos atos de amor não podem ficar restritos
aos que são nossos irmãos, mas devem ser igualmente realizados em
benefício de todos os necessitados, independente de quem sejam. É
por isso que Jesus compara aqueles que saúdam apenas a seus irmãos
aos gentios. Os gentios, aqueles que não faziam parte do povo de
Deus, também se saudavam mutuamente. E, novamente, a mesma lógica
se impõe: fazer o bem apenas aos que são nossos irmãos ou amigos é
um instinto natural, não depende de fé, de conversão e muito menos
é um ato de obediência a Deus. A prova disto é que, os gentios que
não conhecem a Deus, o fazem regularmente, desde o princípio do
mundo.
Os
escribas e fariseus, com seu ensino equivocado acerca de quem era o
próximo dos judeus, haviam tornado praticamente impossível à nação
de Israel, a obediência daquele que Jesus afirmou ser o segundo
maior de todos os mandamentos (cf. Mc 12.31,33 e Lv 19.18b). O povo
judeu, enquanto nação teocrática, simplesmente falhou na sua
missão de revelar a glória de Deus às outras nações. Quando
estrangeiros peregrinavam em Israel, ou entravam em contato com o
povo de Israel, em vez de serem impactados pela manifestação do
amor de Deus, tudo o que viam e percebiam neste povo, era o ódio a
tudo e a todos que não fossem de origem judaica. O povo de Israel
não percebia, ou não aceitava, que a bênção de Abraão, da qual
tanto se gloriavam, era uma bênção que incluía todas as nações
da terra (Gn 12.1-3).
Neste
instante é necessário que façamos uma pausa em nossa análise das
palavras de Jesus para fazermos uma reflexão acerca da atuação da
igreja. O povo de Israel falhou por não aceitar o mandamento de amar
aqueles que eles definiam como seus inimigos: Os estrangeiros.
Aqueles que não pertenciam a etnia judaica. E a igreja, tem amado
aqueles que não fazem parte do seu rol de membros? Ou tem reservado
seu “amor” apenas àqueles que são membros? Ou pior, do
que isso, a igreja tem amado àqueles que não a amam? Ou somente tem
amado àqueles que a amam? Muitas vezes tenho ouvido justificativas
para a falta de ação da igreja em favor dos que não fazem parte do
seu rol de membros, como se eles não tivessem nada a receber da
igreja. Ou, então, como se as pessoas para serem amadas e cuidadas
pela igreja, tivessem primeiro que se tornar membros da comunidade
eclesiástica, para depois serem amadas. Quantas vezes já ouvi a
famosa desculpa: Fulano quer a bênção, mas não quer o dono da
bênção, e, é por isso que não podemos fazer nada por ele. Israel
perdeu sua oportunidade como nação teocrática por não assumir sua
responsabilidade de ser canal das bênçãos de Deus às nações ao
seu redor, e, hoje, com tristeza, vemos que muitas igrejas locais
vivem apenas para si mesmas, e por isso estão perdendo a
oportunidade de manifestar o amor e o poder de Deus, àqueles que
estão ao seu redor. Muitas destas comunidades locais estão
definhando e muitas já morreram. Inúmeros templos estão a venda,
em várias partes do mundo, pelo fato que as comunidades que ali se
reuniam morreram, e ninguém mais frequenta aqueles templos, então
as denominações a que pertencem os colocam a venda, e muitos destes
templos tem se transformado em boates, lojas de departamentos e até
mesquitas muçulmanas. Como teria sido diferente a história destas
comunidades, se seus membros tivessem entendido que amar aqueles que
estavam do lado de fora era a essência de sua missão. E, quanto a
nós, temos compreendido que precisamos amar os nossos inimigos? Já
chegamos a compreender a diferença entre um irmão e um inimigo?
Esta pergunta é importante porque percebemos facilmente, no dia a
dia, que existem pessoas que não conseguem amar nem mesmo aos seus
irmãos na fé. E, pior do que isso, existem pessoas que parecem não
amar nem mesmo aqueles que são seus amigos devotados. E como vemos
isso? Todas as vezes que um alguém é desleal para com o próximo
está manifestando a falta do amor que é exigido por Jesus.
Neste
ponto precisamos perguntar: Como podemos amar os nossos inimigos? A
ordem de Jesus é clara: “Amai os vossos
inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Precisamos
reconhecer que a natureza humana destituída da graça de Deus é
totalmente incapaz de obedecer a esta ordem divina. Graças a Deus,
porém, que em Cristo, temos toda a graça necessária para
obedecermos. O próprio Jesus nos garantiu isto (At 1.8). Isto é um
privilégio que gera uma grande responsabilidade. Não temos
quaisquer desculpas com que possamos nos escusar de obedecer a esta
ordem. E se desobedecermos a esta ordem, isto significa que,
desobedeceremos ao segundo maior de todos os mandamentos, e se
desobedecermos ao segundo, isto implica no fato de desobedecermos
também ao primeiro de todos os mandamentos pois, como diz o apóstolo
João: “Se alguém disser: Amo a Deus, e
odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu
irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”
(1 Jo 4.20), e o apóstolo Paulo chega mais longe ao dizer que: “…
toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu
próximo como a ti mesmo” (Gl 5.14). Pode parecer
surpreendente que o apóstolo Paulo resuma toda a lei com a citação
de Lv 19.18b, que Jesus afirmou ser o segundo maior de todos os
mandamentos da lei, e não com a citação do primeiro e maior de
todos os mandamentos, que é amar a Deus acima de todas as coisas (Mc
12.30). Mas o que parece uma contradição, quando analisado mais
atentamente, logo se torna compreensível, a luz do ensino do
apóstolo João, no verso citado acima. O amor ao próximo é a única
evidência verdadeira do amor a Deus. Só aqueles que verdadeiramente
amam ao próximo, realmente, amam a Deus. Aqueles que afirmam amar a
Deus, mas não demonstram amor ao próximo estão mentindo, enganando
a si mesmos. Então, precisamos avaliar os nossos corações com
sinceridade. Estamos amando os nossos inimigos? Se não estamos, por
que não? Normalmente a resposta a esta última pergunta é uma só.
O egoísmo, cultivado como uma virtude, dentro de nós. Para amarmos
os nossos inimigos temos que vencer a tentação de nos justificar a
partir das nossas emoções. Nos sentimos atacados, intimidados ou
ofendidos, e, a partir disso, julgamos que podemos nos justificar por
não amar os nossos inimigos. A verdade, porém, é que não podemos.
Deus não aceita nenhuma de nossas desculpas. Sua ordem é clara:
“Amai os vossos inimigos”.
Para
conseguirmos amar aos nossos inimigos precisamos compreender que
nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra forças
espirituais poderosas (Ef 6.12), das quais nossos inimigos são
apenas vítimas. Precisamos vê-los como pessoas que, ainda que
inconscientes do fato, estão sob a influência dos espíritos
malignos, e que suas eventuais ações contra nós são instigadas
por eles (1 Jo 5.19). Estas pessoas não tem esperança de salvação.
Estão afastadas de Deus e dependem de nós para que venham a ser
libertas, possam conhecer a Cristo e receber a salvação através da
fé em Jesus (Rm 6.23). Só quando deixamos de nos ver como
intocáveis, quando aceitarmos que não somos o centro do universo, e
que não merecemos nenhum tratamento especial, poderemos ver tais
pessoas pelo prisma através do qual o Senhor Jesus as vê: Seres
humanos necessitados da graça de Deus.
Neste
ponto é importante observar que amar não significa gostar. É
perfeitamente lícito não gostar daqueles que não gostam de nós. E
logicamente não precisamos gostar dos nossos inimigos. Em que,
portanto, consiste o amor aos nossos inimigos? O apóstolo Paulo nos
ajuda a compreender isto quando orienta a igreja romana acerca da
necessidade de amar, ele diz: “… se o
teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de
beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua
cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”
(Rm 12.20-21). Esta orientação nos esclarece acerca do significado
do amor aos inimigos. Amar aos inimigos não é diferente de amar aos
amigos. Amar significa fazer o bem. Se temos um irmão com fome
naturalmente somos inclinados a socorrê-lo dando-lhe de comer. Se
vemos um filho com sede, por amor, naturalmente somos inclinados a
dar-lhe de beber. Amar aos inimigos é fazer exatamente a mesma
coisa, mesmo que no caso destes, não esteja presente o ato de
gostar.
A segunda
ordem de Jesus tem a ver com a necessidade espiritual dos nossos
inimigos. Ele ordena: “orai pelos que vos
perseguem”. A oração é a única arma espiritual que
podemos utilizar na batalha contra as forças espirituais que dominam
aqueles que nos atacam. É inútil lutar no plano físico se no plano
espiritual estivermos indolentes. As batalhas terrenas são vencidas
ou perdidas no plano espiritual. Se orarmos pelos que nos perseguem,
se pedirmos com insistência ao Senhor da igreja que os liberte das
garras dos nossos verdadeiros inimigos espirituais, estaremos nos
tornando verdadeiros filhos de Deus.
Aqui
parece haver uma contradição no ensino de Jesus. Ele nos diz: “para
que vos torneis filhos de vosso Pai celeste”. Poderíamos
perguntar: Já não nos tornamos filhos de Deus quando cremos? O
apóstolo João não ensinou que: “… a
todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de
Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).
Queridos, quero dizer que a contradição é apenas aparente. É
verdade que, quando cremos, nos tornamos filhos de Deus. Isto do
ponto de vista legal. Ao crermos em Jesus, e reconhecê-lo como
Senhor de nossas vidas, fomos legalmente justificados diante de Deus
(Rm 5.1; Rm 8.1). A partir deste momento somos legalmente seus
filhos. Mas após a conversão, em um primeiro momento, continuamos a
ser pecadores totalmente a merce do poder do pecado que habita em
nós. A justificação é a primeira fase da obra do Espírito Santo
em nós. Ele nos convenceu do pecado, da justiça e do juízo (Jo
16.8), e quando nos arrependemos, e depositamos fé em Jesus como
Senhor de nossas vidas, fomos salvos. Fomos libertos da culpa do
pecado. Neste momento nos tornamos, legalmente, filhos de Deus. A
obra do Espírito Santo em nós, porém, não termina com a
justificação. Imediatamente, após a nossa justificação, Ele
inicia a obra da santificação, que é a obra através da qual o
Senhor Jesus vai, pouco a pouco, nos libertando do poder do pecado.
Santificar-se nada mais é do que obedecer a vontade de Deus, ou
seja, obedecer aos seus mandamentos. É por esta razão que Jesus não
nega que já somos filhos de Deus, pelo contrário, ele diz que o
objetivo é nos tornar filhos de nosso Pai celeste. Observe
que o Pai celeste já é nosso. Apesar disto devemos obedecer
a ordem de amar aos nossos inimigos o orar pelos que nos perseguem
para que nos tornemos filhos de nosso Pai celeste. Como assim?
Simples. Já somos filhos de Deus do ponto de vista judicial. Agora
devemos nos tornar filhos de Deus do ponto de vista moral. A palavra
grega (ginomai), aqui traduzida como “vos torneis”
significa, vir a existência, começar a ser, receber a vida,
erguer-se, aparecer na história, aparecer no cenário. Ou seja,
aquilo que é real do ponto de vista legal, agora deve começar a ser
real do ponto de vista moral, precisa vir a existência, precisa
aparecer na história, precisa se tornar visível no cenário da
existência humana. Os filhos devem refletir o caráter do Pai. É
por isso que o Senhor Jesus nos dá o exemplo da ação do Pai como
padrão a ser seguido: “… Ele faz nascer
o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”.
Deus, o Pai, apesar de não ser amado por muitas pessoas, e até
mesmo, apesar de ser odiado por tantos outros, abençoa tanto os que
o amam como aqueles que não o amam. Ele quer e espera que seu
exemplo seja seguido por nós. É a este, tornar-se filhos de
nosso Pai celeste, que o apóstolo Paulo se refere quando diz aos
irmãos de Filipos: “... desenvolvei a
vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12c). Se a
primeira parte da obra que o Espírito Santo realiza em nós foi
efetivamente realizada, certamente ele realizará a segunda parte
também (Fp 1.6). Isto significa que todos os verdadeiros crentes
estão ou serão capacitados a amar os seus inimigos e orar pelos que
os perseguem. Se falharmos nestes deveres e não nos sentirmos em
falta diante de Deus, isto é sinal de que alguma coisa está errada
com nossa profissão de fé.
Jesus
termina esta passagem dizendo: “Portanto,
sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”.
Aqui precisamos perguntar: Que perfeição é esta que Jesus exige de
nós? Certamente não é a perfeição moral, nem espiritual, pois,
neste caso nenhum de nós jamais conseguiria obedecê-lo. O apóstolo
Paulo mesmo lutava contra suas imperfeições e nos deixou seu
testemunho a respeito (Rm 7.15-20). A palavra teleios, aqui
traduzida como perfeitos tem o sentido de algo que é levado
ao seu fim, finalizado, que não carece de nada necessário para
estar completo. Ou seja, durante esta vida, perfeito, diante de Deus
é aquele que cumpre o propósito para o qual foi criado. Ou seja,
nos tornamos perfeitos quando nós imitamos a Deus (Ef 5.1-2), e
vivemos segundo os propósitos para os quais fomos salvos. Amar a
Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Quero
finalizar esta mensagem lembrando que, se, por um lado o apóstolo
Paulo diz que todo o conteúdo da lei se cumpre no ato de amar ao
próximo como a si mesmo (Gl 5.14), o Senhor Jesus nos informa que
seremos julgados, não pelo cumprimento do primeiro e maior dos
mandamentos, mas, pelo cumprimento ou não, do segundo (Mt 25.31-46).
O amor ao próximo se manifesta em ações que demonstram o cuidado
de Deus pelo ser humano em suas necessidades diárias, e Jesus nos
ensina que próximo é qualquer pessoa que esteja necessitada ao
nosso redor, mesmo que este seja um inimigo (Lc 10.29-37). Por isso
não há qualquer desculpa para deixarmos de amar quem quer que seja.
Amor é um substantivo, porém, amar é verbo, ação. Os critérios
que Jesus estabelece para julgar a fé dos que se dizem cristãos,
com vistas a admissão no reino eterno, são tão simples que ninguém
poderá alegar falta de condições para cumpri-los. Um prato de
comida para alguém faminto; um copo de água para um sedento; uma
muda de roupa para alguém que esteja nu; uma visita para um enfermo
ou preso; uma atitude de hospitalidade para com um estrangeiro. Aqui
precisamos dar uma palavra de esclarecimento. Jesus não está
dizendo que se alguém realizar cada uma destas ações algumas vezes
ao longo da vida estará salvo. Ele está dizendo que o estilo de
vida dos que serão salvos, se caracterizou pelo socorro aos
necessitados deste mundo, bem como que, o estilo de vida dos não
salvos, se caracterizou pela indiferença a dor e aos sofrimentos dos
mesmos necessitados. Ou seja, que o estilo de vida dos salvos se
caracterizou pela obediência visível ao segundo grande mandamento,
sendo evidência de uma fé genuína. Quero finalizar com algumas
perguntas: Quando o dia do grande julgamento chegar, de que lado você
acha que estará? Do lado direito ou do lado esquerdo? Com base em
que você tem esta opinião? Você já reparou que, na lista de
Jesus, não há nada daquilo que fazemos quando estamos reunidos para
celebrar a Deus? Não há nesta lista nada que nós fazemos
normalmente dentro do templo? Você percebeu que Jesus não diz que
alguém poderá ser salvo por cantar louvores? Ou por frequentar os
cultos? Ou por ter feito profissão de fé? Ou por pregar mensagens?
Caso alguma destas perguntas o tenha deixado preocupado, o que você
pode fazer a partir de hoje, para ter a certeza de que estará do
lado direito de Jesus? Queridos, a pior de todas as atitudes que
poderíamos ter, é ignorar a voz do Senhor. Temos o dever de amar os
nossos inimigos porque eles são tão próximos quanto quaisquer
outras pessoas de nossas relações pessoais. Se tivermos
dificuldades para obedecer a estas ordens, nos humilhemos diante de
Deus, confessemos nossas fraquezas e busquemos no Senhor a força
necessária para obedecermos. Que Deus nos abençoe, e nos capacite a
viver de tal forma que nossas vidas o glorifiquem de fato. Amém.
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