quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O que celebramos no Natal?


           “Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura. E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem”.
Lc 2.8-14



Em uma época em que o Natal é celebrado com significados tão diferentes, por pessoas tão diferentes como os budistas japoneses, os ateus europeus e americanos, que podem ser divididos em dois grandes grupos, que são os ateus práticos, que formam a maioria esmagadora dos ateus e os ateus dogmáticos, que são aqueles que buscam argumentos lógicos para negar a existência de Deus, os comunistas russos e chineses, os agnósticos, os espíritas: Kardecistas, umbandistas, adeptos do candomblé e da quimbanda, e, milhões de pessoas sem religião definida, mas que afirmam, acreditar na existência divina, e praticar algum tipo de espiritualidade. Em um tempo em que, por outro lado, muitos líderes de igrejas evangélicas, tem ensinado suas congregações a não celebrar o Natal, tratando esta celebração como uma festa pagã, é importante refletirmos acerca do que significa o Natal, e o que nós, servos do Senhor, temos para celebrar nesta época do ano.

A partir do texto de Lucas, quero avaliar algumas verdades, que deveriam nos levar a reflexão, e a uma avaliação sincera, dos nossos verdadeiros motivos para a celebração do Natal. A primeira destas verdades, é que a data precisa do nascimento de Jesus Cristo é desconhecida. O texto sagrado não nos dá quaisquer indícios, que nos permitam afirmar, em que época do ano, Jesus Cristo nasceu. Alguns dos líderes, que não celebram mais o natal em suas comunidades, alegam que, o fato de naquela região, o mês de dezembro ser inverno, torna impossível que Jesus tenha nascido nesta época do ano, pois o rebanho estava sendo cuidado a céu aberto, e segundo eles, isto significa que não poderia ser inverno. Esta é uma afirmação equivocada, pois, naquela região, os animais usados para o sacrifício no templo, eram mantidos nos campos, mesmo no inverno. Esta questão de data, portanto, jamais deveria ser um empecilho, para, quem quer que seja, deixar de celebrar o Natal. Outros alegam que já celebram a vinda de Cristo o ano inteiro, e que, portanto, não há necessidade de celebrar o Natal, em um dia específico. Quero dizer que conheço muitos líderes que adotam tal argumento, mas que, em suas vidas pessoais, jamais deixaram de celebrar o próprio aniversário em data específica, ou o aniversário dos filhos, ou o aniversário de casamento. Este, portanto, é outro argumento fraco para justificar a não celebração da encarnação do Filho de Deus. Devemos nos perguntar: O que, de fato, aconteceu de importante naquela noite em Belém, que deveria ser celebrado por nós? Afinal de contas, o que há de mais, no fato de uma mulher pobre, dar a luz, solitária, em algum lugar perdido, de uma região rural da Palestina, a mais de dois mil anos atrás? Não haveria nada a celebrar, se o fato não tivesse sido celebrado nos céus. O texto sagrado nos informa que, logo após o anuncio do nascimento de Jesus, por parte do anjo enviado por Deus, “subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial louvando a Deus…” exatamente pelo fato de Jesus ter nascido naquela noite. Sem dúvida, aquilo que foi digno de ser celebrado pelos anjos de Deus, deve ser digno de ser celebrado por aqueles, a quem Jesus veio buscar e salvar. A milícia celestial celebrou o nascimento de Jesus, louvando a Deus na presença dos pastores, e, nós também, devemos celebrar o nascimento do Salvador, louvando a Deus, na presença de todos aqueles que ainda não o conhecem como seu Senhor e Salvador, na esperança de que, alguns sejam alcançados pela sua graça, e venham a fazer parte do seu povo. Neste ponto, precisamos perguntar: O que devemos celebrar no Natal? Em primeiro lugar, celebramos a encarnação do verbo divino. Os deístas, afirmam que Deus criou o mundo e, como um relojoeiro que dá corda no relógio e o põe para funcionar, Deus teria colocado ordem no mundo e, após estabelecer suas leis básicas de funcionamento, se afastou, deixando-nos a sós, com a responsabilidade de resolver os nossos próprios problemas. Esta é a meu ver, a doutrina da omissão divina. Um erro crasso. Uma doutrina ótima para atender aos interesses dos poderosos deste mundo, mas que nos deixa sem alguém a quem chamar de Pai. O nascimento de Jesus prova-nos que Deus não se omitiu em vista da nossa miséria. Ao contemplar a nossa condição decaída, e nossa completa incapacidade de fazer algo em nosso próprio benefício, o Senhor, movido de compaixão, nos enviou seu próprio filho, a fim de nos redimir de nossos pecados. Ao celebrar o nascimento de Cristo, celebramos o fato dele, por amor a nós, ter deixado a sua glória e entrado no estado de humilhação, assumindo a natureza humana e todas as suas limitações, assumindo entre os homens a condição de servo, pois ele mesmo disse que “… não veio para ser servido mas para servir…” (Mt 20.28; Mc 10.45), e, nesta condição, se humilhou e foi obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.5-8).

Em segundo lugar, celebramos sua identificação conosco. A palavra de Deus nos diz que o mundo inteiro jaz no maligno (1 João 5.19b). Ou seja, nesta presente era, este mundo está sob o poder controlador do diabo. As evidências deste fato são inúmeras. Entre muitas outras, podemos destacar: o sofrimento generalizado da humanidade, as guerras, as doenças e a morte. Uma das maiores evidências, porém, de que o mundo jaz no maligno, é o estado de miséria moral do ser humano, e a dominação cruel que os ricos e poderosos exercem sobre os pobres. Ao profetizar a vinda do messias, Isaías nos informa que seu nome seria Emanuel, que quer dizer, Deus conosco (Is 7.14). Isto não significa que Isaías queria dizer que Jesus se identificaria com a humanidade de modo universal, como alguns defendem, mas, que ele estaria conosco, com aqueles que aceitassem o seu chamado, e se submetessem à sua autoridade. Quando os anjos vem anunciar o nascimento de Jesus, fica claro o seu compromisso com aqueles que estão desassistidos neste mundo. Eles não anunciam seu nascimento no palácio de Herodes, nem no Palácio do governador romano, nem tampouco, no templo, ou na casa do sumo sacerdote. Eles anunciam seu nascimento a um grupo de pastores que guardavam o rebanho no campo. Ora, o que há de significativo nisto? Bem, para começar os pastores eram uma das classes sociais mais pobres daquela época. Eram desprezados pelos religiosos, pelo fato de que sua profissão não lhes permitia a guarda da lei cerimonial, e, como viajavam pelo país inteiro, em busca de pastagens para os rebanhos, alguns acabavam tornando-se ladrões, o que colocava toda a classe dos pastores sob suspeita, de modo que seu testemunho sequer era aceito nos tribunais. Enfim, era uma classe totalmente desprezada, apesar do importante trabalho que realizavam. Deus quis anunciar o nascimento de seu filho, primeiramente, aos que eram desprezados por aqueles que se julgavam importantes, do ponto de vista social, político e religioso. Em segundo lugar, as condições do nascimento de Jesus, igualmente, demonstram, a opção do Senhor, em identificar-se com os fracos deste mundo. Ele nasceu de uma virgem pobre, sabemos disso porque ao nascer, precisou ser colocado em uma manjedoura. Seu primeiro berço foi um lugar onde os animais comem. E, finalmente, seus pais, ao apresentarem-no no templo, cumprindo os preceitos da lei, para a purificação de Maria, tiveram que oferecer a oferta daqueles que não tinham recursos financeiros, ou seja, em vez de um cordeiro para holocausto e um pombo pela oferta pelo pecado, foram obrigados, pela falta de recursos financeiros, a oferecer a oferta que os pobres eram obrigados a oferecer, um par de rolas ou dois pombinhos (cf. Lv 12.6-8; Ex 13.2). Celebramos, portanto, o fato de Jesus ter se identificado conosco, a fim de salvar-nos. Ao anunciar, aos pastores, o nascimento de Jesus, o anjo do Senhor nos fala de sua humildade, ao nos dizer que ele seria encontrado em uma manjedoura; nos fala de sua missão, ao nos informar que ele seria o salvador; e nos fala de sua glória, ao nos dizer que ele é o Senhor. Um senhor que deixou a sua glória, e assumiu a nossa humanidade, para nos resgatar de nossa miséria. Um senhor que, diferente do que fazem os senhores neste mundo, que põem fardos pesados nos ombros de seus servos, nos convida a nos aproximar dele, a fim de acharmos descanso para nossas almas  (Mt 11.28-30).

Em terceiro lugar, celebramos nossa eleição, para a salvação, pela fé em Cristo. Ao contrário daquilo que ensinam, aqueles que apregoam uma salvação universal, a milícia celestial, que aparece diante dos pastores, ensina uma expiação limitada. Este é o ensino claro, expresso no louvor da milícia celestial, que aparece repentinamente diante dos pastores, e que louvavam a Deus dizendo: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem”. Os anjos não dizem paz na terra entre todos os homens, mas apenas, entre aqueles a quem ele quer bem. Ora, os que defendem a salvação universal, afirmam que todos os homens serão salvos ao final dos tempos, mas não é isto que o Novo Testamento ensina. O anjo, que foi enviado a José, para tranquilizá-lo, quando ele pensava deixar Maria, secretamente, lhe diz acerca da missão de Jesus: “…ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). O anjo deixa claro a José que Jesus viria salvar o seu povo, e não todo o povo, mas somente aqueles que seriam o seu povo, ou seja, a sua igreja (Mt 16.18). Ele não disse a José: Ele salvará o teu povo, indicando o povo judeu, que era o povo ao qual José pertencia. Ao usar o possessivo, “seu”, o anjo, que se dirige a José, deixa claro que está se referindo ao povo do Senhor. E o próprio Senhor Jesus Cristo deixou claro que não veio salvar todos os seres humanos, mas apenas aqueles que reconhecia como seus. Em sua oração sacerdotal, ele ora ao Pai e deixa claro que não está orando por todos os seres humanos, mas diz claramente ao Pai que: “não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17.9). Jesus, nesta passagem, faz uma clara distinção entre “aqueles que me deste”, pelos quais ele orava, e aqueles outros, que estavam no mundo, mas pelos quais ele não orava. Portanto, o nascimento de Jesus, não beneficia a todos, em termos de vida eterna, mas somente àqueles que, eleitos por Deus, ao ouvirem o chamado da graça, entregam-se aos ternos cuidados do Salvador (Ef 2.8-9). Celebramos, portanto, o privilégio de estarmos em Cristo, de termos sido eleitos pela graça de Deus para a salvação, em um mundo que jaz em trevas, e que caminha rapidamente para a destruição.


Em muitos países o natal não é celebrado. Geralmente nos países em que o cristianismo é uma religião proibida, e onde predominam outras religiões. Esta é uma situação natural do ponto de vista lógico. Aqueles que não reconhecem Jesus como o Messias e o Senhor, não podem reconhecê-lo, e nem tê-lo, como Salvador, portanto, para estes, nada há para celebrar nesta época do ano. O que não é lógico, nem natural, são as festas realizadas pelos milhões de pessoas que celebram o Natal sem reconhecer Jesus como Senhor, e sem tê-lo como Salvador. Quero terminar esta reflexão com uma pergunta pessoal: E você, tem alguma coisa para celebrar neste Natal? 

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