“Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos
campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do
Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles;
e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis
aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que
hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto
vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em
manjedoura. E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia
celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz
na terra entre os homens, a quem ele quer bem”.
Lc 2.8-14
Em uma época em que o Natal é
celebrado com significados tão diferentes, por pessoas tão diferentes como os
budistas japoneses, os ateus europeus e americanos, que podem ser divididos em
dois grandes grupos, que são os ateus práticos, que formam a maioria esmagadora
dos ateus e os ateus dogmáticos, que são aqueles que buscam argumentos lógicos
para negar a existência de Deus, os comunistas russos e chineses, os
agnósticos, os espíritas: Kardecistas, umbandistas, adeptos do candomblé e da
quimbanda, e, milhões de pessoas sem religião definida, mas que afirmam,
acreditar na existência divina, e praticar algum tipo de espiritualidade. Em um
tempo em que, por outro lado, muitos líderes de igrejas evangélicas, tem
ensinado suas congregações a não celebrar o Natal, tratando esta celebração
como uma festa pagã, é importante refletirmos acerca do que significa o Natal,
e o que nós, servos do Senhor, temos para celebrar nesta época do ano.
A partir do texto de Lucas, quero
avaliar algumas verdades, que deveriam nos levar a reflexão, e a uma avaliação
sincera, dos nossos verdadeiros motivos para a celebração do Natal. A primeira
destas verdades, é que a data precisa do nascimento de Jesus Cristo é
desconhecida. O texto sagrado não nos dá quaisquer indícios, que nos permitam
afirmar, em que época do ano, Jesus Cristo nasceu. Alguns dos líderes, que não
celebram mais o natal em suas comunidades, alegam que, o fato de naquela
região, o mês de dezembro ser inverno, torna impossível que Jesus tenha nascido
nesta época do ano, pois o rebanho estava sendo cuidado a céu aberto, e segundo
eles, isto significa que não poderia ser inverno. Esta é uma afirmação
equivocada, pois, naquela região, os animais usados para o sacrifício no
templo, eram mantidos nos campos, mesmo no inverno. Esta questão de data,
portanto, jamais deveria ser um empecilho, para, quem quer que seja, deixar de
celebrar o Natal. Outros alegam que já celebram a vinda de Cristo o ano
inteiro, e que, portanto, não há necessidade de celebrar o Natal, em um dia
específico. Quero dizer que conheço muitos líderes que adotam tal argumento,
mas que, em suas vidas pessoais, jamais deixaram de celebrar o próprio
aniversário em data específica, ou o aniversário dos filhos, ou o aniversário
de casamento. Este, portanto, é outro argumento fraco para justificar a não
celebração da encarnação do Filho de Deus. Devemos nos perguntar: O que, de
fato, aconteceu de importante naquela noite em Belém, que deveria ser celebrado
por nós? Afinal de contas, o que há de mais, no fato de uma mulher pobre, dar a
luz, solitária, em algum lugar perdido, de uma região rural da Palestina, a
mais de dois mil anos atrás? Não haveria nada a celebrar, se o fato não tivesse
sido celebrado nos céus. O texto sagrado nos informa que, logo após o anuncio
do nascimento de Jesus, por parte do anjo enviado por Deus, “subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia
celestial louvando a Deus…” exatamente pelo fato de Jesus ter
nascido naquela noite. Sem dúvida, aquilo que foi digno de ser celebrado pelos
anjos de Deus, deve ser digno de ser celebrado por aqueles, a quem Jesus veio
buscar e salvar. A milícia celestial celebrou o nascimento de Jesus, louvando a Deus na presença dos pastores, e, nós também,
devemos celebrar o nascimento do Salvador, louvando a Deus, na presença de
todos aqueles que ainda não o conhecem como seu Senhor e Salvador, na esperança
de que, alguns sejam alcançados pela sua graça, e venham a fazer parte do seu
povo. Neste ponto, precisamos perguntar: O que devemos celebrar no Natal? Em
primeiro lugar, celebramos a
encarnação do verbo divino. Os deístas,
afirmam que Deus criou o mundo e, como um relojoeiro que dá corda no relógio e
o põe para funcionar, Deus teria colocado ordem no mundo e, após estabelecer
suas leis básicas de funcionamento, se afastou, deixando-nos a sós, com a
responsabilidade de resolver os nossos próprios problemas. Esta é a meu ver, a
doutrina da omissão divina. Um erro crasso. Uma doutrina ótima para atender aos
interesses dos poderosos deste mundo, mas que nos deixa sem alguém a quem
chamar de Pai. O nascimento de Jesus prova-nos que Deus não se omitiu em vista
da nossa miséria. Ao contemplar a nossa condição decaída, e nossa completa
incapacidade de fazer algo em nosso próprio benefício, o Senhor, movido de
compaixão, nos enviou seu próprio filho, a fim de nos redimir de nossos
pecados. Ao celebrar o nascimento de Cristo, celebramos o fato dele, por amor a
nós, ter deixado a sua glória e entrado no estado de humilhação, assumindo a
natureza humana e todas as suas limitações, assumindo entre os homens a
condição de servo, pois ele mesmo disse que “…
não veio para ser servido mas para servir…”
(Mt 20.28; Mc 10.45), e, nesta condição, se humilhou e foi obediente até a
morte, e morte de cruz (Fp 2.5-8).
Em
segundo lugar, celebramos sua identificação
conosco. A palavra de Deus nos diz que o
mundo inteiro jaz no maligno (1 João 5.19b). Ou seja, nesta presente era, este mundo está sob o poder
controlador do diabo. As evidências deste fato são inúmeras. Entre muitas
outras, podemos destacar: o sofrimento generalizado da humanidade, as guerras,
as doenças e a morte. Uma das maiores evidências, porém, de que o mundo jaz no
maligno, é o estado de miséria moral do ser humano, e a dominação cruel que os
ricos e poderosos exercem sobre os pobres. Ao profetizar a vinda do messias,
Isaías nos informa que seu nome seria Emanuel, que quer dizer, Deus conosco (Is 7.14). Isto não
significa que Isaías queria dizer que Jesus se identificaria com a humanidade
de modo universal, como alguns defendem, mas, que ele estaria conosco, com
aqueles que aceitassem o seu chamado, e se submetessem à sua autoridade. Quando
os anjos vem anunciar o nascimento de Jesus, fica claro o seu compromisso com
aqueles que estão desassistidos neste mundo. Eles não anunciam seu nascimento
no palácio de Herodes, nem no Palácio do governador romano, nem tampouco, no
templo, ou na casa do sumo sacerdote. Eles anunciam seu nascimento a um grupo
de pastores que guardavam o rebanho no campo. Ora, o que há de significativo nisto?
Bem, para começar os pastores eram uma das classes sociais mais pobres daquela
época. Eram desprezados pelos religiosos, pelo fato de que sua profissão não
lhes permitia a guarda da lei cerimonial, e, como viajavam pelo país inteiro,
em busca de pastagens para os rebanhos, alguns acabavam tornando-se ladrões, o
que colocava toda a classe dos pastores sob suspeita, de modo que seu
testemunho sequer era aceito nos tribunais. Enfim, era uma classe totalmente
desprezada, apesar do importante trabalho que realizavam. Deus quis anunciar o
nascimento de seu filho, primeiramente, aos que eram desprezados por aqueles
que se julgavam importantes, do ponto de vista social, político e religioso. Em
segundo lugar, as condições do nascimento de Jesus, igualmente, demonstram, a
opção do Senhor, em identificar-se com os fracos deste mundo. Ele nasceu de uma
virgem pobre, sabemos disso porque ao nascer, precisou ser colocado em uma
manjedoura. Seu primeiro berço foi um lugar onde os animais comem. E,
finalmente, seus pais, ao apresentarem-no no templo, cumprindo os preceitos da
lei, para a purificação de Maria, tiveram que oferecer a oferta daqueles que
não tinham recursos financeiros, ou seja, em vez de um cordeiro para holocausto
e um pombo pela oferta pelo pecado, foram obrigados, pela falta de recursos
financeiros, a oferecer a oferta que os pobres eram obrigados a oferecer, um
par de rolas ou dois pombinhos (cf. Lv 12.6-8;
Ex 13.2). Celebramos, portanto, o fato de
Jesus ter se identificado conosco, a fim de salvar-nos. Ao anunciar, aos
pastores, o nascimento de Jesus, o anjo do Senhor nos fala de sua humildade, ao
nos dizer que ele seria encontrado em uma manjedoura; nos fala de sua missão,
ao nos informar que ele seria o salvador; e nos fala de sua glória, ao nos dizer
que ele é o Senhor. Um senhor que deixou a sua glória, e assumiu a nossa
humanidade, para nos resgatar de nossa miséria. Um senhor que, diferente do que
fazem os senhores neste mundo, que põem fardos pesados nos ombros de seus
servos, nos convida a nos aproximar dele, a fim de acharmos descanso para
nossas almas (Mt 11.28-30).
Em
terceiro lugar, celebramos nossa eleição,
para a salvação, pela fé em Cristo. Ao
contrário daquilo que ensinam, aqueles que apregoam uma salvação universal, a
milícia celestial, que aparece diante dos pastores, ensina uma expiação
limitada. Este é o ensino claro, expresso no louvor da milícia celestial, que
aparece repentinamente diante dos pastores, e que louvavam a Deus dizendo: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os
homens, a quem ele quer bem”. Os anjos não
dizem paz na terra entre todos os homens, mas apenas, entre aqueles a quem ele
quer bem. Ora, os que defendem a salvação universal, afirmam que todos os
homens serão salvos ao final dos tempos, mas não é isto que o Novo Testamento
ensina. O anjo, que foi enviado a José, para tranquilizá-lo, quando ele pensava
deixar Maria, secretamente, lhe diz acerca da missão de Jesus: “…ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). O anjo deixa claro a José que Jesus viria salvar o seu
povo, e não todo o povo, mas somente aqueles que seriam o seu povo, ou seja, a
sua igreja (Mt 16.18). Ele não disse a José: Ele salvará o teu povo,
indicando o povo judeu, que era o povo ao qual José pertencia. Ao usar o
possessivo, “seu”, o anjo, que se dirige a José, deixa claro que está se
referindo ao povo do Senhor. E o próprio Senhor Jesus Cristo deixou claro que
não veio salvar todos os seres humanos, mas apenas aqueles que reconhecia como
seus. Em sua oração sacerdotal, ele ora ao Pai e deixa claro que não está
orando por todos os seres humanos, mas diz claramente ao Pai que: “não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque
são teus” (Jo
17.9). Jesus, nesta passagem, faz uma clara
distinção entre “aqueles que me deste”, pelos quais ele orava, e aqueles
outros, que estavam no mundo, mas pelos quais ele não orava. Portanto, o
nascimento de Jesus, não beneficia a todos, em termos de vida eterna, mas
somente àqueles que, eleitos por Deus, ao ouvirem o chamado da graça,
entregam-se aos ternos cuidados do Salvador (Ef
2.8-9). Celebramos, portanto, o privilégio de
estarmos em Cristo, de termos sido eleitos pela graça de Deus para a salvação,
em um mundo que jaz em trevas, e que caminha rapidamente para a destruição.
Em muitos
países o natal não é celebrado. Geralmente nos países em que o cristianismo é
uma religião proibida, e onde predominam outras religiões. Esta é uma situação
natural do ponto de vista lógico. Aqueles que não reconhecem Jesus como o
Messias e o Senhor, não podem reconhecê-lo, e nem tê-lo, como Salvador,
portanto, para estes, nada há para celebrar nesta época do ano. O que não é
lógico, nem natural, são as festas realizadas pelos milhões de pessoas que
celebram o Natal sem reconhecer Jesus como Senhor, e sem tê-lo como Salvador.
Quero terminar esta reflexão com uma pergunta pessoal: E você, tem alguma coisa
para celebrar neste Natal?
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